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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Como se não houvesse amanhã...nem ontem. "Capri, c'est fini! "



Como se não houvesse amanhã, nem ontem...os portugueses refugiam-se numa espécie de "limbo" vivido por uns e sonhado por outros, muito melhor do que o ano que passou e, a anos luz do que o que aí virá.
E assim, num clima sui generis, a blogosfera enche-se de Silvies Vartans, Adamos e Ritas Pavones, que nos relembram quaquer coisa que já não sabemos muito bem bem o que é , mas nos afasta em definitivo (mais não seja pela enorme distância) de tudo o que possa aí vir.
Deixemo-no pois embalar neste Capri...Quem não foi que fosse!

Com os desejos de um ano "embalado" para todos,
da George Sand.

P.S. A Marquesa optou pela "outra vertente": Consumir até à última badalada!
Foi-se empanturrar numa máquina qualquer que descobriu à última hora (amanhã já estamos em plena crise, já não pode ser) num centro comercial apinhado de gente a trocar cachecois. Parece que a gerinconça jorra chocolate líquido para cima de uns crepes, que por sua vez aterram num copo. Isto, em processo contínuo, pelo que não deve aparecer tão depressa por aqui...

George Sand

Etiqueta Respiratória, no virús da crise


Chegou! É oficial: a Direcção Geral de Saúde apela à vacinação da gripe.
Apresenta-se, sazonal e sem perigosidade de maior. Um qualquer vírus B, do mais "mixa" que imaginar se pode, em absoluta consonância com a crise, exactamente igual ao de 2009. Sem tirar nem pôr...e, ainda por cima, com "actividade moderada"
O chamado balde de água fria, para quem antevia na gripe, a parafrenália de máscaras a milhas do carnaval e stocks de tamiflu familiares, mais as conversas inerentes com a vizinhança: que grande desconsolo!
Mas calma...nem tudo está perdido. Este ano, há falta de melhor, a DGS desenvolveu uma estratégia: a "etiqueta respiratória"
Está nas notícias, para quem quiser consultar...os portugueses devem adoptar uma "etiqueta respiratória". Consta de atitudes facílimas como tossir e espirrar para o cotovelo. E outras, de que corro a inteirar-me, não vá cometer alguma gaffe. Principalmente em ano de crise. Seria desastroso!
Marquesa de Carabás

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

TOM JONES - DELILAH



Amores fatais, para a passagem de ano que se aproxima

Surprise!!!


Saí para dar uma volta por aí e vejo aqui:http://corta-fitas.blogs.sapo.pt/ que agora apareceu um novo candidato presidencial. Novinho em folha! A estrear. Ninguém sabe "os planos dele", a "postura" dele. Pior que isso: ninguém lhe conhece as gravatas...
Em suma: homem não abriu a boca! Pois que não participou em nenhuma das "conversas em família".... de nenhum dos canais.
Ora isto não é justo! O princípio de igualdade, o da paridade ou outro qualquer podem ser postos em causa.
E agora? Como é que vão fazer? Inaugura-se finalmente um "sistema de monólogo", ou recorre-se à RTP memória? Eu é que não sei o que faça, que já se me acabou o naperón...


Marquesa de Carabás

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Aníbal Contente e Manuel Feliz


Acabaram as "conversas em família", Imagino que o esclarecimento é de tal forma generalizado que podiamos todos ir já votar hoje: no BPN, por exemplo.

Stand by me "Orginal"inclusiv with River Phoenix

Cais



Escorregamos os olhos.
Devagar,
muito devagar,
em movimentos sincronizados
de um tempo preciso.
Paisagem desalinhada.
Burburinho de água,
Onde esvoaçam sorrisos.
O espaço sempre aberto
O tempo, quieto.
Na branca espera de um cais

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Cinema em pânico

Hoje, resolvi escrever sobre cinema.
Mais precisamente sobre o cinema que se tem passado dentro de portas, sem ninguém ver. Nem eu...E não é por falta de empenho, acreditem.
A coisa começou com o "Inimigo às Portas", passado na guerra, como muita lágrima e muita neve. E, muitos tiros também.
Depois, seguiu-se" A grande Batalha". Ao que parece um clássico...de sangue e tiroteio. (Tratei de fechar as portadas para não acordar a vizinhança). Acho que morreram todos, mas não consegui averiguar bem, pelo que me espera uma reprise, a seu tempo, que antes tenho que me refazer.
Ontem, depois de alguns olhares "fulminantes", avançou-se finalmente para um grande clássico e, a promessa solene de uma "coisinha mais leve". O nome enganador..."Os gansos selvagens". Ainda me recostei-me no canapé, com uma caixinha de "chiclates" mas não consegui comer nenhum, tal a sanguineira que escorria do écran.
Hoje decidi fugir, literalmente...da forca. A coisa chamava-se "a Sombra da (dita) Forca" com o Clint Estwood, sem tomar banho pelo menos há um mês, num tiroteio de meter medo e acabar com tudo. Sombra incluída.
Amanhã, doa a quem doer, vou rever o Di Caprio de braços abertos, na proa do Titanic, com a mulher da vida dele. E eu com a minha caixa de "chiclates". O filme é grande e a coisa promete. É uma pessegada mas paciência!
A continuar assim, estou mesmo a equacionar vai o "Women in Red" com flores no vão da escada, e a roupa dos anos oitenta. Ou a família do Von Trapp a saltitar nos Alpes. Mas esse é só em caso de "força maior"...
Regresso ao écran, então.


Marquesa de Carabás

Presidenciais ao colo

Muito se tem falado e escrito, acerca das eleições presidenciais. Das características dos candidatos.
Perfilam-se de um lado os políticos de craveira, com "folha de serviço". Do outro, as candidaturas "modernas", da cidadania. Onde nos fazem crer que um cidadão, pelas suas qualidades, pode ser presidente da república.
Aos primeiros, aponta-se-lhes o "militantismo". Por mais que tentem esconder os cartões debaixo do tapete e esquecer as quotas...aos segundos, a falta de "traquejo" que poderá custar-lhes a eles, e a nós, muito caro. A liberdade de que falam, não é senão, dentro do "sistema", uma falsa premissa, que os torna vulneráveis. Alvos fáceis, marionetas,  mesmo que bem intencionados. Facilmente manobravéis, por máquinas bem oleadas e pouco vocacionadas para a "cartilha maternal".
Ora então, em que é que ficamos?
Candidatos à parte, ficamos exactamente neste impasse, que nos vai conduzir àquilo a que todas as eleições presidenciais, sem excepção nos têm conduzido: o colo
O colo, que já conhecemos. Independentemente do facto de gostarmos ou não, mas que seja um colo.
Dar-nos-á a pequena segurança de um caminho já traçado. De um percurso mais ou menos adivinhado.
Procura-se, afinal,  a segurança. Face a qualquer tentativa de inovação, de renovação de seja o que for. Mesmo que essa segurança seja a possível, e muito aquém do expectável.
Foi assim, em todas as eleições presidenciais desde o 25 de Abril.
Nenhum presidente ficou por reeleger. Absolutamente nenhum. Porque para os portugueses, a real tarefa de um presidente é afinal a mais complexa: o colo.
Venham os psicólogos explicar melhor...

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Ana Maria,francamente... há cinquenta anos nisto!!!

Ute Lemper - Youkali

Judite: Já podias ter dito, filha, vim assim que pude...

Judite: fizeste bem. Afinal ainda há dois dias tinhas ido ao salão...não se justifica, não senhora. Isso era no tempo da "extravagância", cada debate, cada penteado...não queriam mais nada. Contenção. Contenção faz parte de qualquer "pacto" e de qualquer "acto" que se preze.
Faltaram-te foi os bolos (da outra vez foi o chá). Se tens dito, tinha-os pedido às Noelistas...ou à míngua, tinha-me poupado mais um bocadinho ao Natal.
É verdade filha...como é que vais fazer com o bolo rei? É que sem esse, imagino que não consigas o próximo debate. E tem que ser da Nacional, que os comensais são de "peso". Só se optares por ter o trabalho de fazer antes, umas empadas...de lebre. Ou de tartaruga, como queiras filha. A ementa é só uma. Desta feita, foi Esopo, que nos serviram à sobremesa.

Deixa lá Judite, não fiques triste, eu depois mando-te uma caixinha de ferrero Rocher...dos pequeninos. Também ninguém se vai zangar com isso pois não?!

Dêm-nos música: ou o ano de todas as reeleições

Apesar dos pesares (leia-se a crise, as várias crises) 2011 vai ser um dos anos de maior oferta de espectáculos de sempre: dos Xutos e Pontapés, aos Deolinda. De Esther Marrow, aos sempre aclamados Pop Dell'Arte. A que se soam: Kateie Melua, Bon Jovi...
Até o S. Carlos surpreende: Carmen, em Junho!
As Presidenciais, embaladas pelo inconfundível, mas muito audível, batucar ritmado dos Stomp. E o o resto, o resto, ficará certamente por conta do Abrunhosa, já sem registo "Bandemónio", no seu novísssimo "Comité Caviar".

domingo, 26 de dezembro de 2010

Alfenim - O Natal mais doce



De todos os Natais, o mais doce, o mais branco, o mais raro... Não o conhecem, por aqui, no Minho, onde as fatias se fazem rabanadas. Tão pouco no centro dos bolos reis da Nacional, no interior dos coscorões, no Ribatejo dos bailarotes ou, mais para o sul, nos natais embrulhado em misturas de grão e açúcar das azevias
Está longe, muito longe, dos pudins flambados, dos bolos de maçã,  das tranças, que se comem por essa Europa a tantos.
Nem sequer no "Natal em vinha de alhos" madeirense o encontrei...
Mas ficou preso nas memórias, esse sabor incomparável, depois do bacalhau, que ainda mantenho. Sempre, com batata doce.
Alfenim, palavra de origem árabe, derivada de "Al fenid" (aquilo que é branco) transformado sabe-se lá por que acaso de sonhos navegantes, em açúcar e muita arte.
O único Natal, onde a imaginação de bonecos e anjinhos, numa massa de açúcar demorada, esticada e tornada a esticar, se desfaz sem nenhuma pressa, na boca.
Alfenim: no Natal dos Açores. E nem de todas as ilhas, creio. Mas com toda a certeza, da Terceira.
Chegava cedo, a casa. Muito antes do Natal. Embrulhado com mil cuidados, para a viagem de avião, entre rendas e bordados azuis. E ficava em lugar de honra à espera da meia noite.
Um dia, deixou de chegar.
O Natal foi-se reeiventando, como podia ser. Mas o sabor, porque demorado na boca, ficou.
Procurei-o ainda, em confeitarias e lojas gourmet...mas nunca mais o encontrei.
Por acaso, neste Natal, mas tão cedo que não foi possível, passei numa loja de artigos dos Açores. Colei o nariz na montra, mas não tinha sabor...áquela hora. Quem sabe quando lá voltar: o alfenim durava. Os anjinhos, ao contrário de todos os outros, não partiam no dia de Natal. Demoravam-se nessa doçura firme, do ponto de açúcar esmerado, por mais uns tempos. Oxalá...

George Sand




sábado, 25 de dezembro de 2010

Mensagem de Natal

Talvez a mais relevante: a mensagem do Cardeal Savino, este Natal, através da Globovision à população Venezuelana.  Incitando-a a defender os seus direitos: com firmeza mas sem violência. Manifestando assim a preocupação da Igreja sobre os riscos de estar o país a "caminho da ditadura".
A Igreja atenta, vigilante, comprometida, empenhada e sem medo,este Natal,  ao lado da população da Venezuela, na pessoa do Cardeal Savino.
Aos dirigentes, deixou o recado:

Estamos a avançar para uma ditadura (...) o apelo que faço aos que dirigem o governo neste momento é que tenham em conta a responsabilidade que terão perante a História e perante Deus, se querem impor uma ditadura totalitária, o que seria terrível para a Venezuela"

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL



A todos os que aqui passam, os meus votos de um Santo e Feliz Natal.
Que seja com alegria e com muita paz! Se possível...com música. Fica esta memorável gravação dos três tenores, num Natal, em Viena.

George Sand, Marquesa de Carabás.

Christmas on the road


Para variar e como muitos portugueses: Christmas on the road.Tem os seus encantos se virmos a coisa pelo lado positivo. Mas temos é que olhar muito bem e com muita calma, para vermos todos os lados positivos e, não esbarrarmos com nenhum negativo :)

Para o ano, compro um destes, voador!

Trans-Siberiano

Para quem gosta de comboios: é a viagem de uma vida. E eu gosto de comboios.
Gosto de passear os olhos pela paisagem, adormecer no embalo dos carris, acordar algures, no meio de nada e olhar o céu, pelo canto de uma janela.
Gosto de me encostar no ritmo das paredes que balouçam a cada curva e sobretudo de adivinhar. Muito rapidamente, os vultos que surgem, para logo desaparecer.
Sonha-se rápido num comboio. Sonha-se a 170 km por hora e sonha-se muito.
Por vezes a paisagem repete-se e dá-nos algumas  tréguas à imaginação, que galopa, incessante.
Imaginamo-nos em cada curva, em cada tarefa, em cada rosto esfumado e fazemos de cada paragem uma pausa nos sentidos. Breve, porque se quer breve, na viagem de uma vida.

(imagem retirada da net)

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Extensões e Nuances


Qualquer dos exemplos acima é uma quase total impossibilidade num cabeleireiro em Portugal...tiraram todos um curso de "extensões" e "nuances", que "aplicam" indescriminadamente às incautas  a quem calha sentarem-se nesse dia na cadeira.
A coisa é "aviada" a "VIP's" e "LUX's", igualmente repletas de extensões e nuances que é suposto aplicar.
E quem não quer aplicar a "fórmula"?
Pois quem não quer aplicar; ou encontra o cabeleireiro de sempre, ou sofre, de catálogo na mão, o desespero de explicar que há quem não queira nenhuma extensão nem nenhuma nuance - uma coisa praticamente impensável.
Se eu fosse rica ia a Paris cortar o cabelo! Juro, que ia! Como não sou, estou nas mão do Eduardo, que sempre que me vê, sorri de felicidade pura, por poder finalmente aplicar a técnica da navalha, perante o olhar surpreso das circundantes. E no final, não há laca, não há brushing...não há o estica, o enrola, é só virar a cabeça para baixo ...et voilá! Surprise!
Nessa altura o salão respira de alívio: é possível sobreviver, afinal, sem extensões e sem nuances.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Narciso Yepes (Romance Anonimo)



Dedilhei as palavras
Na palma da minha mão.
Amassei silêncio,
Tamborilei paixão.
Recordei dos sorrisos,
Entrelaçados de nada,
Feitos em linhas abertas
de vida
Na madrugada (...)

George Sand

Natal

Agreste aos olhos e à alma de muita gente. Talvez da maioria.
Pelo natal passam as memórias e as ausências.
À mesa, sentam-se os que estão, os que podiam estar e não estão e, os que estiveram um dia. Ficam ali, calados, numa esquina dos olhos, entre o coração, o prato e a sobremesa.
A mesa é a mesma, mas os rostos são diferentes.
É nestes dias, sobretudo, que nos lembramos dos natais da nossa infância: cobertos de doces e de esperanças no sapatinho. Demorados, ansiosos. Cheios de emoções e gargalhadas.
Depois, a vida vai-se impondo numa urgência aflita, que nos fez desatar cada vez mais depressa os laços, por mais que os apertemos...

Felicidade - Vinicius de Moraes

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Floresta Natalíca


Em perfeita sincronia radiofónica, o Aníbal e a Maria, para todos vós. Não com uma, não com duas, não com três, mas com quatro singelas árvores de natal! E algumas bolas espalhadas que foram caindo, entretanto.

Ceia de Natal 2º acto (Avestruz)


Pois que me descuidei, diz o cavalheiro, que veio à caixa de comentários deixar recado, porque meti o peru no tordo...mas afianço-vos que era assim que estava na receita. Ajeito o lorgnon e não vejo alternativa...

Não consigo descansar com tamanha aflição, sendo que a única salvação possível da minha ceia de natal, em chique, evidentemente (se fosse o bacalhau do costume nada disto se passava) é essa ideia: de truz! Meter as aves todas, os condimentos todos, quiçá os acompanhamentos no bucho do bicho...enorme.

Parto...Alentejo fora a procurar o dito. Dizem que o mais provável é que o encontre com a cabeça metida na areia, pelo que tenho que prosseguir caminho por essa moirama até terrenos mais alagadiços...

Mas eu garanto-vos que tenho a minha "Ceia de Natal Especial," com todas as aves metidas numa só. Por camadas, por tamanhos, por cores, o que for!

Neste caso e, como até há espaço, vou alterar um bocadinho a receita original...meto-as lá e, em vez do funcho, acrescento umas tâmaras e umas ameixas. Também estou a pensar decorá-lo com umas rodelas de limão à volta e uns gomos de tangerina. É que o bicho além de enorme, pernalta, é medonho. Tem os olhos esbugalhados, o  cabelo eriçado,  as pernas tortas. Estraga-se-me o efeito da travessa...



domingo, 19 de dezembro de 2010

BACH GOLDBERG - Sylvain Blassel harp - Warner Lontano



Lembra-me água. A escorrer pelos dedos.
Água que se solta.
Água que fluí

Preparativos da Ceia de Natal

Este ano acabou-se o bacalhau sensaborão. O perú com castanhas, o peru sem castanhas, o lombo recheado e outros quejandos. Este ano, vai ser em bom! Uma coisa como deve ser...de "Chef".
Em assim sendo, tratei de recortar o respectivo receituário que passo a estudar com afinco...
RECEITA:
Perú Recheado do Chefe Vintém
1 perú
1 galinha
1 pato mudo (tenho que tentar entabular a conversação a ver se ele se queda)
1 fraca (é uma galinha da índia daquelas que cirandam pelos jardins públicos...fácil :) )
1 perdiz
1 rola
1 tordo
alhos
sal
azeite
pimenta preta
sementes de funcho
salsa
vinho branco

depois...dessossam-se todas as peças, deixando-as com a pele inteira sem abrir ao meio (tarefa para a Sand..)
Tempera-se com todos os ingredientes e deixa-se a marinar 12 a 14 horas (aqui entra o despertador e umas pequenas contas para não ter que acordar...a Sand, às três da manhã. Enfim...também não é um drama)
A aves são então metidas umas dentro das outras, da maior-o peru- até à mais pequena- o tordo
Aqui levantam-se alguns problemas...e se o pato é maior que o peru? E se a perdiz é maior que a fraca?
Coloca-se tudo no forno durante 4 horas, esfria-se e serve-se frio em fatias finas com o molho muito quente...pois, a alternativa é enfiar o "costume" na panela e pronto. Não queriam mais nada e lá se ia o meu natal chique não?!
Facílimo!
Começo já pela caça ao tordo e pela conversa com o pato!

Lojas de sorrisos: precisam-se!

Fui às compras.
Ficaram-me os olhos, menos nos embrulho coloridos e, mais nos rostos cansados que os carregavam. Compras a metro. Compras obrigatórias. Compras tantas vezes desnecessárias...eu sei, nasci com o "chip compras" avariado e não gosto. Sobretudo assim, por obrigação.
Também não gosto das inutilidades. Milhares de inutilidades com que atafulhamos as vidas. As nossas e as dos outros.
Um dia saímos deste mundo quase como entrámos. A mais, levamos um único par de sapatos, uma muda de roupa e, a alma, de preferência mais enriquecida: com livros, com música, com arte e sobretudo com os outros.
Pena, que não haja lojas de sorrisos...tinha comprado alguns. Isso sim, isso seria um bom presente de natal para muita gente.

Aquecimento Global - Arrefecimento Total

Neve continua a causar o caos na Europa

(Fotografia retirada do Jornal de Notícias on Line)

sábado, 18 de dezembro de 2010

Dez a zero aos Clooneys deste mundo!

Quem foi o energúmeno que mandou "fazer as unhas" ao Chiado"?

Alguém faz o favor de me explicar que possidoneira é esta, num misto de Semana Santa e manicura brasileira?
Não, não me venham com a contenção de despesas. Até podiam ter posto um anjinho singelo, uma azevinho murcho, qualquer coisa... Mas isto?
É mau demais para ser verdade!
Depois dos atropelões na FNAC a tentar o impossível O "Norte e Sul" em versão completa, que felizmente não havia. Não pelo Norte e Sul que é sempre uma belíssima aposta mas pelos serões em "treprise, (que é reprise três vezes) da coisa. Sai-o cá fora e, dou de caras com este espectáculo de "manicura celestial". Se alguém souber do responsável...

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Jiaxing China




Enquanto as mães trabalham nas fábricas.
(imagens recebidas por e-mail)

Parece que a Shadow faz anos


Parece que a Shadow, comentadora militante do "Acto Falhado" faz anos.
Sendo assim, merece um presente como deve ser: em "bom".
Como eu não tinha deste padrão, achei que era melhor trazer logo duas. A de cima é para a Shadow e a debaixo é para mim.
Não precisa de agradecer Shadow, é só uma lembrançinha...


Incidências

Era uma porta de luz
numa taberna de esquina,
um chão debaixo da rua
com mesas de lua branca,
de esperarem, feitas em gêlo...
era uma voz de menina
de lá de dentro a cantar,
a fugir pró céu da rua...
eram as horas vazias,
coalhadas, esmagadas
dos disformes monstruosos...
eram degraus que me esperavam
e fachadas que fechavam
todas as ruas por onde
os meus passos acusavam!...


Branquinho da Fonseca in "Mar Coalhado" Coimbra, Imprensa da Universidade, 1932

Como passar um serão tranquilo


A técnica é apuradissima e surpreendente.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Judite: que bem que esteve o chá dos candidatos iogurte


Estiveste muito bem filha, só faltaram os bolos. Chá houve com abundância. Tanto que mais meia hora e acabava tudo aos abraços na paz do Senhor.
Isto sim, isto é um verdadeiro debate. Estou empolgada. Também estou ensonada, mas isso é do adiantado da hora.
Fizeram-me lembrar o Trinitá...era assim uma espécie de Robin Wood, mas na vertente cowboy que tem mais pinta. (Era um bocadinho mais molengão também)
Eu lembro-me que ele era insolente e amuava. Entrava no saloon e tinha que ser o primeiro a ser servido, senão havia chatice. Nunca foi refém e coitado, está um nadinha fora de prazo mas é a vida...o que é preciso é que não se ceda a pressões de lado nenhum. E nisso, o Trinitá, era exímio. Acho que também não havia pressões nenhumas...
Estranhei um bocadinho o Defensor tendo em conta as 35 primaveras de experiência acumulada. Terá sido na maquilhagem?
O único reparo é mesmo os bolos: fizeram falta. Agora podia-se falar do recheio, da massa. Em assim sendo, de pouco se pode falar. Estão um bocadinho fora de prazo...estes candidatos iogurte.

Tudo atravancado!



Vem aí o Natal. Que é como quem diz, já está tudo atravancado.
É os supermercados atravancados de resmas de bacalhau. Atravancados de magotes a comprar o dito.
É os centros comerciais, atravancados de gente, de bolas penduradas, de fitas coladas, de crianças aos gritos (livra)
São as caixas de e-mail, os facebooks, os telemóveis...é preciso respirar fundo que ainda falta uma semana inteira e logo temos a Judite...vai mas é pondo os "bigodis" filha, que com este tempo, demora a secar...

Del Shannon Runaway



Será que a minha mãe andava nestas figuras...melhor nem perguntar .
Dedicado ao João Afonso que tem uma fixação nestas meninas, não sei porquê...ele é os penteados, os saltinhos, a garagem, não consigo perceber ...uá uá uá uá uá. :)

Inverno

É no Inverno que abafamos o riso, tornado contralto,  em golas de lã.
É no Inverno que destemperamos o choro com chuva. Até  quase o cristalizar, numa espécie de geleia, de um verão interrompido.
É no Inverno, que as recordações teimam em se colar aos sapatos. Em forma de estrelas de plátanos, de musgo, de terra.
É no Inverno que as palavras se recortam em murmúrios e sussuros, desgarrados do vento que teima em passar.
É no Inverno que o silêncio se faz penumbra, cedo. E cedo adormece os pensamentos, em danças breves de sombras.
É no Inverno que o silêncio nunca acontece. Nem no destempero do lume ele acontece.
(...)
George Sand

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Enrique Morente



Tive a sorte de o ver na sua última actuação em Lisboa, em Setembro passado, no São Carlos. Não volta. A força do seu Flamenco, essa, fica!

Cumple el cielo e tus estrellas.
Se vá la Voz...
Pero, se queda la mirada,
por las calles
de Granada.

George Sand

Um, Dois Três, vou ganhar outra vez

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Órfã Do Seu Rumo

IV
  Quem não se recorda?,as novidades chegavam em profusão, provenientes do outro extremo do continente. Era o desmascarar de uma farsa monumental, da tirania escondida sob a retórica dos chavões.
Qual democracia, qual igualdade?!
  Ainda esboçaram a sua defesa os de cá. mningâncias do Imperialismo, argumentavam, artifícios da Reacção, agora e sempre a força poderosíssima do capitalismo. Conceitos ideológicos quase tornados gente - alvos a abater - com nome próprio, muita ruindade no espírito e a bolsa a abarrotar do dinheiro roubado ao povo espezinhado.
  mas o discurso perdera impacto, ninguém convencia já(...)

João Afonso Machado in "Contos do Tempo"

Olhos de azul



Despejava os olhos por ali abaixo, se pudesse. Ou fazia um voo rasante de curva fechada, no horizonte, à procura do significado de cada gota de azul.

Fernão Capelo Gaivota



Dedicado a ti Judite. Do fundo do coração. Mereces. Respira fundo, filha!
Não consigo encontrar a Lena D' água em cima de um trator, com uma permanente, nem o Represas nos tempos "áureos"de guedelhudo no coreto do Jardim da Estrela.Senão também te mandava filha. Do fundo do coração, eu mandava-te.
Mas pensando bem é melhor não...és franzinota e podes não te aguentar. Além de que quinta feira está aí ao virar da esquina...respira , respira

Judite, filha, atenta bem no que te digo

Os candidatos a Presidente são uma impossibilidade filha!
Eu não sei que te diga...eu compreendo...tanta hora de salão para ficares com um platinado de fazer inveja a uma qualquer Marilyn...e, isto.
"Portanto" um, é impossível. Portanto não se consegue mesmo que se tente: ouvir. A "cassete" ressuscitada, bem que tenta avançar no tempo, mas fica-se queda, portanto numa qualquer imagem de ceifeiras e tratoristas dos tempos do PREC. Não há volta a dar.
Depois temos a liberdade:" Ninguém é de ninguém", nasci selvagem, um dois três vou nascer outra vez...só me lembrava o Fernão capelo Gaivota no quarteto e eu ali a bocejar à espera que o passarinho pousasse num sítio qualquer, ou que o intervalo me resgatasse.
Mas não filha, tu nem direito tiveste a um intervalo. "Portanto", se queres o meu conselho reevindica. Ah, e não te esqueças, para a próxima exije umas gravatitas decentes...
Desta vez foram dois mártires, sendo que um é virgem. valha-me Deus!
Quinta feira há mais...prepara-te Judite! A vida é dura!

Nina Stemme

Voilá: c'est la "crise"...


c

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A hora dos Tordos

Os tordo acordam e adormecem à mesma hora. Todos os dias.
Adormecem quando escurece e acordam de madrugada, aos primeiros raios de sol, com a barriga  a dar horas.
Chegam aos bandos, de guardanapo posto, sob o lusco-fusco. E,  à chamada do guia, entram de rompante no olival.
Convém ter os olhos bem abertos, porque a luz é mínima. Só o bastante para distinguir as azeitonas.
E é aqui, que a "sincronia" falha...
A véspera, em Trancoso, com lascas de bacalhau e arroz de pato, mais a sardinha doce e o requeijão com abóbora, regados a um tinto "cego" com "aroma" a bairrada, "madeira" de "Porto Santo" e "corpo" quiçá de um dos 3 hectares que restam de "Carcavelos", revelado por fim, num verde tinto, arrastou-se...mais a estratégia: fundamental! Sem estratégia é impossível. É preciso definir as linhas, demarcar os espaços.
Enquanto isso, os tordos dormem  e sonham: com as azeitonas.
Mais o tempo perdido a alimentar os cães. Uns animais que não comem lascas de bacalhau. E, o  necessário para encontrar um hotel rural, num desvio inexistente, perto de nenhures...
De manhã o pequeno almoço de ovos mexidos e bôla, quando não de sopa...

O que vale é que os tordos têm sempre tendência a subir com o clarear do dia. Sobem, sobem, até se transformarem em pontos negros no horizonte, a salvo da linha de fogo. Enquanto que as perdizes, essas, descem. Descem batidas pelos cães. Trotam pelos socalcos, até terrenos impossíveis, de pedras soltas e lama.
Resta o Côa e a quietude, que cala tudo, por ali abaixo.

George Sand  (texto dedicado à Real Confraria de Sto. Humberto)

Marquesa de Carabás

Foi a maior emoção da minha vida: estava eu na Versailles a acabar o chá, num afogadilho, o maldito do Jarbas, a espinotear os cavalos, na hora de ponta. Desde que inventaram esta coisa da hora de ponta é isto, já nem um chá se pode tomar em paz...quando recebo mensageiro...que era um convite para eu vir participar num blogue. E o convite, imaginem, da Exma Senhora Sand...fiquei em palavras. A glote fechou-se-me a meio de um duchesse e ia sendo o diabo, não fosse dar-se o caso de um cavalheiro ir a correr chamar o Jarbas, esse incompetente, que me dá com um pingalim nas costas por forma a livrar-me da aflição.
Foi momentâneo...logo a seguir, sucumbi de vez ao convite e desfaleci.
Teve que ser a sais, por forma a conseguir apresentar-me a tempo e horas aqui. Não faço a mínima ideia a que horas fecham os blogues...
Pois eu conheço muito bem a George Sand. Fomos apresentadas há muito tempo numa soirée. Perrault contava histórias de gatos alucinados e Ravel entoava o seu magnífico Ma Mère L'Oye. Chopin chorava emocionado e a Senhora Condessa d'Aulnoy, a Marie-Catherine, abanava-se com um leque que ou muito me engano ou era meu. Tinha-lho emprestado numa ocasião melindrosa que não vem agora ao caso.
O que é certo é que cheguei! Trouxe o lorgnon e a minha caixa de "chiclates" da Ferrero Rocher, obviamente.

George Sand e Marquesa de Carabás



Ma Mère l'Oye...uma música de Ravel, inspirada num conto de Perrault.
O convite foi aceite pela Senhora Marquesa de Carabás.

End of the weekend e o clique nº 1000

Chega Sand do weekend. Um weekend normalissimo...e dá de caras com o milionéssimo clique deste novérrimo "estaminé".
Sand está de regresso...e a coisa passou-se entre Lisboa, Porto, Famalicão, Trancoso (que surpresa! Jantar em Trancoso é uma experiência modernissima a rivalizar com um qualquer Cafeína) Foz Côa, Chã,  a Muxagata, a Ervamoira, o Porto, Famalicão, o Porto novamente e mais uns "acontecimentos" de somenos que nem vale a pena mencionar.
Não, não imagino os kms que faço num fim de semana normal. Não faço ideia. Conduzir é o máximo e Portugal é pequeno.
Não sei a quem pertence o clique nº 1000 mas poderia considerar-se o/a feliz contemplado/a com um qualquer avental não fora dar-se o adiantado da hora.
Isto está a precisar de reforços...

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Paco Ibañez - Pablo Neruda



Où sont-ils, les diseurs?...

Não me rendo!

«O Governo aprovou hoje uma resolução que determina a aplicação do Acordo Ortográfico da língua portuguesa no sistema educativo no ano lectivo de 2011/2012 e na administração pública a partir de 01 Janeiro de 2012.»

Pois eu não me rendo. Estou mesmo a pensar numa forma mais radical de luta e voltar à pharmácia. Isto assim na melhor das hipóteses. A partir de 1 de Janeiro vou voltar todos os acordos para trás até ao tempo em que não havia acordo nenhum de coisissima nenhuma. Quero lá saber que os brasileiros escrevam fato e ôtimo. Estou-me nas tintas! Estou-me borrifando! Nem que  tenha que traduzir este blogue para "inglês técnico" ou editá-lo todinho, do princípio ao fim em grego. Ático. Sim que George Sand sabe grego Ático. Tenho é que arranjar um teclado novo e exportar esta pessegada toda  uns milénios para trás. Mas isso com as novas tecnologias faz-se num instantinho.

Geração anti-rasca

Mostraram-lhes o mundo.
Cresceram sem fronteiras. Numa Europa una, com uma bandeira em que cabia sempre mais uma estrela. Não sabem ao certo quantas, nem lhes interessa. A moeda circula e eles também.
Aprenderam que se aprende, através de pactos, de trocas, entre Erasmus e Bolonhas.
Viajaram.
O Inglês é ferramente oficial , cá ou lá. Num qualquer voo de easy jet ou nos muitos amigos espalhados por aí, por esse mundo, que se tornou pequeno.
Da História sabem apenas o que consta nos manuais. Não são patriotas. Ninguém os ensinou a ser.
A politica não lhes interessa.
Mas sabem uma coisa: não vão acabar de canudo na mão à porta de um centro de emprego.
Estão a sair. Cada vez mais. E não são só os estudantes de medicina, por causa dos números clausus. São aqueles que sabem que podem competir, no mundo que lhes ensinaram, também é deles.
Voltarão? Dúvido!


Perdi o espaço, o tempo.
Perdi quase todo o rosto,
Em Sofrimento.

Rasguei décadas de palavras.
Como se fossem pétalas.

Filmes a preto e branco
Rodados em silêncio.

Depois, sem saber porquê
Deslizei pela madrugada,
Com a leveza de quem não espera.
Redescobri o horizonte
No lampejo de um sorriso

J

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O salário e a qualidade do trabalho

O Sr. Pinto de Sousa, "Ingenheiro", nada de confusões, dobra a língua ó Sand, quer ligar o salário à qualidade do trabalho.
A ideia é "portanto", fazer uma "proporcionalidade". Não sei se com máquina, se de cabeça. Mas como tem o feriado, o sábado e o domigo, alguma "ideia" há-de surgir entretanto...nem que seja com a ajuda do magalhães e uma regra de três simples. Nada de complicar o que é afinal, tão óbvio.
Agora adivinhem lá quanto é que vai ser o salário dele? opsss...

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Toca a fazer o presépio!!!

Rendam-se ao Tango!



É impossível resistir aos encantos del caminito em Buenos Aires.
Aquela que começou por ser uma dança originariamente de homens, conquistou o mundo. Primeiro em Paris, por volta de 1910 e depois, com aquele que foi o grande impulsionador do Tango: Astor Piazzola. Influências de Bach, de Stravisnky e do Jazz, fizeram do tango o que ele hoje é.
O ícone da vida boémia, dançado obrigatoriamente de rosto virado, transformou-se.
Através da entrada em cena de bandolins, acordeons, flautas, ganhou leveza e suavidade.
A nova sonoridade aproximou os corpos, em passos e coreografias arrojadas.
Que viva el tango! Una musica brutal!

Wikileaks

"Pura e simplesmente não houve voo nenhum"
Afinal não houve nem um voozinho com os prisioneiros de Guantanamo. Foi o Luís Amado que disse. Além disso está na Wikileaks. Soa lindamente isto da Wikileaks, parece uma personagem do Harry Potter.
Não faço a miníma ideia como é que vou explicar isto à Teresa, uma joia de rapariga que já se preparava para receber um...com esforço dois prisioneiros, em jeito de penitência, a caldos de galinha para retemperarem forças e, passeios de domingo familiares para se ambientarem...é que não faço mesmo a mínima ideia.
Ainda pensei em dar à Teresa o telefone da Wikileaks, mas parece que alguém foi preso e não atendem...

A Crise

Por estes dias desapareceu...ele é mais aviões da nova frota da TAG "novo rumo para a Europa com segurança a toda a prova" que largam bocados.  O tempo (tema recorrente sempre que chovem três pingas de água ou descem dois graus), as efemérides, leia-se Francisco Sá Carneiro e a gasolina.
Da crise nem uma palavra...foi-se. Eclipsou-se.
Mas a crise é afinal uma coisa bem enraizada nos hábitos de muitos.
Desde sempre que as como: em termos de ovo estrelado e batatas fritas... também há a crise dupla: tem dois ovos estrelados e uma maior dose de batatas fritas.
Em S. Martinho do Porto, terra de gente avisada e comedida, sempre houve crises. Matam a fome aos noctívagos, aos velejadores estafados de tanto arnês, aos adolescentes cansados da sandocha de pasta de atum. E são em conta.
Mas a coisa é tão rara for de tais círculos, que procuro aqui na internet uma imagem de crise e não aparece nenhuma...deve ser do hábito de uns e da falta dele de outros.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Tangos, milongas e outras danças

Não tenho nada contra o Pedro Passos Coelho, mas passar de milonguero para isto...
Vamos estar com muita atenção: se ele disser mais uma vez que está pronto...

Em bicos dos pés

Quantas vezes é que o Pedro Passos Coelho já disse que estava pronto para governar? :)

domingo, 5 de dezembro de 2010

cada um tem direito ao seu gatuno!

The Mamas & The Papas - California dreamin



Para o que me deu...

Francisco Sá Carneiro

Parece que este é o tema do momento...
Conheci-o. Com as maiores dúvidas que ele me tenha conhecido a mim.
Da primeira vez, fui-lhe apresentada, se é que o termo é epropriado, submersa. Literalmente submersa, após uma extraordinária bomba com efeito, para dentro de uma piscina. A coisa foi mais ou menos: aquela ali em baixo é a minha filha.
Depois voltei a cruzar-me com ele mais umas vezes. Uma delas estava eu amuada, a ler um libreto no intervalo de uma ópera, de carácter obrigatório: a ópera e o libreto. Fazia parte da "educação artistica das crianças". Tinha passado o primeiro acto a implicar com o meu irmão, aos carolos e aos pontapés, sendo que ele estava sempre em vantagem porque usava botas ortopédicas, impossiveis de rivalizar com os meus pobres sapatos de presilha. E, estávamos de castigo, com o maldito do libreto. Passou ele, passou a Snu, passou toda a gente e nós ali a tentar perceber como é que a diva ia morrer...essa pergunta era fatal. E sem direito nem a uma tosta. Ele foi simpático e entrou para dar um beijinho.Não trazia era tostas
 Da terceira vez foi em casa de alguém. Dessa vez não havia tostas mas havia montes de tacinhas cheias de aperitivos óptimos que nunca se comiam lá me casa. Já eu esfregava as mãos de contente quando a "ordem "veio explicita: só tiram um! E lá para dentro!

Devo-lhe, no entanto uma coisa, uns anos mais tarde:  as maiores baldas às aulas da minha vida. Só suplantada pela "época lodan" a que eu nunca aderi. Jurei que não vestia "traje de guerra" de partido nenhum...até hoje! Mas as manifs eram uma festa!

sábado, 4 de dezembro de 2010

Pasmou-se num barco

Pasmou-se num barco.
Pasmou-e na viagem. No destino. Nas luzes que passavam. Na vastidão.
Pasmou-se no azul  e no silêncio do barco que passava. Pasmou-se e pronto!
Estava frio. Um frio esbranquiçado. Os narizes gelados. Mas a paisagem cheia: de barco.
Para onde? Com quem? Porquê? Que caís o esperaria à chegada? Seria certamente muito maior do que o de Viana... a encher de assombro o fim da tarde.
Trouxe-mos o barco!

Nazaré- Sítio


Não se consegue agarrar às mãos cheias, a espuma inventada, debaixo do cálido penetrante da lua.
Não se consegue sequer, finalizar a sétima onda à procura do melhor verde-mar do fundo de qualquer tempo.
No Sítio, só o silêncio se envolve no néctar puro, sabor distante do sol e dos sois que já partiram.
Eterna a amizade do balouçar tempestivo e temperado em noites amargas de saudade.
No Sítio, sob a lâmpada-cor-de-fogo, os traços vividos nos rostos dançam pelas paredes vazias da capela.
Soam ladainhas rematadas de suspiros que deslizam. E, a última pata do cavalo, balouça sozinha ao vento norte. Sem mais rede, do que as que se perderam.
Rapidamente pelas lascas da falésia se desce à praia.
Ressaltam aladas as muitos mãos esquecidas no mar. E, os olhos dos que morreram, embebidos em pasmo, numa aflitiva permanência, balouçam ao vento.
Da falésia escoam ainda os gritos lancinantes das madeiras partidas e repartidas por vários rochedos. Amortalhada, enegrece a vila.
Mascarado, por vezes no som dos últimos risos que sobem no ar...permanece perdido de negro e luto, à sombra do último espaço de despedida - esse Sítio

Schubert - Ave Maria



Para a Maria, que a canta tão bem, no dia de hoje.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Talvez fosse um fado
jamais cantado,
jamais dito.

Transformou-se, com o futuro,
em passado
quando escrito.


João Afonso Machado in "Margarida", edições DG, 2010

Philippe Jaroussky: Sperai vicino il lido (Gluck)

Vivaldi - The Four Seasons "Winter" _ Giuliano Carmignola

Nota

Os textos publicados por aqui são repentistas. Acontecem. Não é uma escrita depurada, revista, ou revisitada. Nem sequer programada.
Os palcos são muitos, as ideias atropelam-se, a imaginação desliza.Como se fosse uma escrita aflita...esta.


George Sand

Porto Santo- Porto Sentido

Esqueço os olhos no areal, à procura da sétima onda. Lá, onde o verde se mistura em espanto, com todos os azuis que chegam. De todas as paragens. Depois, passo as mãos pela planura e envolvo devagar o horizonte num sorriso, sem espaço definido.
Nao há espaço definido, quando o mar abraça a terra num abraço cada vez mais apertado de maré alta. Desmedido de maré viva.
Aqui, no Porto-Santo-Sentido

George Sand




O Senhor A.


Fazia parte das nossas imagens de meninos.
Acompanhou-nos os sonhos polvilhados de estórias coloridas e rebuçados de tostão embrulhados em papel de cor e sabor a maresia.
Para nós, apareciam sempre primeiro os braços, da imagem frágil e dançante,que por entre as nuvens baixas parecia não ter pernas.
Voava pois por cima do areal ,o velho senhor A.
Voava baixinho e, cantava em roda, com todos os meninos que queriam cantar. Depois, sentava-se quase dentro do poucochinho de sol. Dos bolsos tirava estorias, em livrinhos pequeninos, desbotados pelo sabor dos rebuçados.
-   Estes são para os meninos lerem com os pais ao serão.
E se eram grandes esses serões na praia...quase sempre passados dentro de portas por causa da cacimba insistente, numa húmidade miudinha que nos colava os cabelos, as roupas, e fazia com que as casas tivessem todas o mesmo cheiro, de mar e de mofo. Nessas noites, que se prolongavam tantas vezes em tardes e manhãs de mau tempo, os livrinhos do sr.A. passavam de mão em mão. Eram lidos por todos e rivalizavam com os contos fantásticos de lobisomens, contadas entre dentes pelas criadas das casas. Esses homens horríveis, descidos do monte nos dias em que a sirene do farol não nos largava os sonhos...
Um dia, sem avisar, o Sr. A. deixou de vir.
Foi num verão igual aos outros.
Esperámos por ele sentados na praia, em roda...perguntámos à Iracema dos bolos que por certo conhecia toda a gente. Procuramos no cais, nas dunas e por detrás de todas as barracas e depois, a pouco e pouco fomos partindo, ao sabor do ritmo vagaroso dos finais de verão.. .As malas montadas na mula do Ti Joaquim, que o carro, era só para acomodar as famílias numerosas desses tempos.
Os baús, esses, vindos da cidade, seguiam agora a viagem inversa rumo à gare,  como de costume, até a avó um dia se lembrar de os mandar buscar. Senão, passavam o inverno num lugar sem norte e regressavam pelo seu pé à praia.
Passaram-se anos, e sempre que se viam braços longos por cima do nevoeiro, uma geração inteira de gente crescida, sem querer, olhava por cima à espera de ver sair de uns bolsos, as maravilhas desse homem com o tamanho dos sonhos dos meninos e, a certeza de ter tido sempre consigo esta praia em concha, na palma das mãos.
Hoje, contamos aos filhos as estórias do sr. A.
E às vezes, se  nos encontramos ainda por estas paragens, de nevoeiro e cacimba verdadeira, quase sem querer,  passamos o pé por debaixo da areia húmida, não vá ter ficado esquecido algum conto com capa cor de laranja...

George Sand

As palmas das mãos



O senhor Laurentino sabia das coisas pela palma das mãos. Os olhos, há muito que tinham fraquejado e, só lhe permitiam de vez em quando, um rasto, um cheiro...
Foi há muito tempo que as begónias se começaram a confundir com as sardinheiras, os cactos com os mangericos, e o horizonte que era de mar e de ria se fundiu numa só côr, que não pertencia a nenhuma , nem a nada deste mundo.
Agora, ao senhor Laurentino restavam-lhe as palmas das mãos. Firmes no tracejar dos espaços e dos sentidos.
Com elas podia abrir caminho entre os canteiros, devolver-lhes a frescura e a paz. Com elas podia aventurar-se no comboiozinho de bonecas que sempre atravessa a ria e chega ao mar.
Então, devagar, com a cara junto à areia e as mãos voltadas ao sol, o senhor Laurentino partia, devagar. Descobria mundos, cores e gentes, falava com os pássaros e saboreava os cheiros trazidos pela madrugada.
Conseguia mesmo sentir o fervilhar da vida ao seu lado e ainda,  depois disso. Muito para lá da estrada, da ria e, do olhar dos outros.
Ao fim da tarde o senhor Laurentino voltava, no mesmo comboizinho oferecido pelo natal à ria...e ria, com as palmas das mãos apoiados no rosto cansado. Ria-se alto o senhor Laurentino. Ria-se de si e dos outros. Que nunca percebem, como é ver,  pela palma das mãos.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

M.Rostropovich - Haydn Concerto No.1 C Major (1)



Saudades de Rostropovich...

Banco Alimentar. Mais um sucesso!

Mais uma vez o "Banco Alimentar contra a fome" saíu à rua. No primeiro dia bateram-se todos os records: 1,5 toneladas de boa vontade a serem distríbuidas por quem mais necessita.
Fico feliz pelo sucesso desta iniciativa de que dependem tantas e tantas famílias. Fico infeliz por ter que ser assim. Por eles e por nós. Pelos que recebem, tantas vezes envergonhados. E,  pelos que dão, dão e dão. E, não conseguem perceber porque é que não se criam as condições para que não tenha que ser assim.
De qualquer das formas é de louvar esta ideia: uma forma de receber, sobretudo isso, menos envergonhada.
Parabéns à Ana Jonet e aos milhares de voluntários que alimentaram mais uma vez esta ideia.


Numa esquina da minha rua há uma pequena mercearia de bairro.
Uma das poucas que teimam em sobreviver.
Há uns tempos, ao lado dos normais caixotes de frutas e legumes à porta, um outro: com as mesmas frutas e legumes, mas variadas, misturados.Umas maçãs, umas folhas de alface, umas pêras...
Um caixote sem critério, mas igualmente arrumado, quase a passar despercebido no meio de todos os outros.
Não perguntei o óbvio: a fruta um bocadinho "tocada", mas ainda boa para consumo, estava por ali...
Por ali contínua.
Funciona sem ser preciso pedir licença. Sem ser preciso dizer nada. Mas funciona.
Parabéns ao Sr. Manuel!

Foi quase...quase

 Da fresta da janela uma névoa desconcertante.
- Abre aí a janela. Está tempo de neve...
E estava. Estava tempo de neve. Quase, quase, tempo de neve...2º ainda não foi hoje!

domingo, 28 de novembro de 2010

Assuka (parte dois)



Esta semana uma pausa no weekend. Com botas. Destas. Medonhas:)
Faço minhas as palavras do João Afonso, as cercas são aborrecidas. Mais para ele, que o peso e a alguma (pouca) falta de agilidade não ajudam.
As minhas botas correm mais e saltam mais alto!!!;)

poldro

Cresceu!!!

Protesto formal

De todos nós, gente a viver do que a terra dá, contra as cercas e os aramados. Porque já não somos meninos - se fossemos, os nossos pais se encarregariam de trazer ao nosso prato as codornizes e as perdizes e as galinholas... E o protesto seria deles então.
Longe vão, se não deviam ir, os tempos dos campos concentracionários. As redes são para as cabras. Exigimos a liberdade. E os nossos cães, também. Desgraçados, sintam-lhes a angustia de ficar para trás, a sua prece, a sua súplica, na espécie canina sempre em duas patas, jamais de joelhos.
Além do mais tudo isto é perigoso. Principalmente para a economia nacional, porque afasta o turismo. E para as minhas costas, já tão atacadas pelos bicos-de-papagaio.

João Afonso Machado

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Portas de Ródão




Há raposas, lindas. Veados e grifos.
Borboletas de mil cores.
Sardaniscas,
flores
Água, terra e ar.

weekend: Assuka versus sopa

Este é um blogue que fecha ao fim de semana.
Weekend é palavra sagrada. Cheia de maresia ou do cheiro agreste da urze.
Neste tempo com muito frio. Muito verde. Muita lama. Muita terra.
Não há nada que chegue ao cheiro da terra molhada. Aos campos de cultivo alagados. Aos ritmos da natureza, à proximidade com os animais.
Tenho pena das minhas amigas  demasiado citadinas, que não conseguem trocar uns sapatos de salto alto por um par de botas. A quem a lama incomoda. Já para não falar na caça ;). Assunto polémico e a evitar a todo o custo numa sexta feira, eu sei. ( Chegamos ao verão e juro que falo de toiros )
Vou trocar o Assuka, imagine-se. E, a extraordinária experiência, sempre renovada e, sempre reprovada, de comer peixe crú embrulhadinho em arroz empapado. Este é que é o "tal", por um pequeno almoço de ovos mexidos, pão acabado de cozer, salsichas e sopa. O último numa paisagem de cortar a respiração: Portas de Rodão
Um dia eu chego lá...
Até lá, tenham paciência...

George Sand

Nadia Comaneci



O primeiro 10 absoluto da ginástica desportiva feminina. O segredo : Béla Károlyi, um boxeur reformado, que pela primeira vez aliou a  leveza e flexibilidade próprias do treino de uma ginasta, à força. E a força mudou tudo.
A história começou num campeonato, quando uma lesão de uma colega de equipa,  fez chamar ao praticável a jovem suplente. A nota, demorou a sair...ninguém sabia o nome dela. Chamava-se Nádia Comaneci. Não foi ainda suplantada a marca de 7 medalhas de ouro.

O desporto de alta competição tem custos: o esforço provoca lesões, cefaleias, sais que não têm tempo de ser repostos no organismo, sujeito a um esforço diário e esgotante. Mas dá asas.
É única, a sensação de voar em paralelas, do equilíbrio na trave, de uma saída perfeita.
E a resistência de um desportista, essa, acompanha-o para toda a vida.


George Sand

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

José de Almada-Negreiros

Viagem das palavras

  As palavras teem moda. Quando caba a moda para umas começa a moda para outras. As que se vão embora voltam depois. Voltam sempre, e mudadas de cada vez. De cada vez mais viajadas.
  Depois dizem-nos adeus e ainda voltam depois de nos terem dito adeus. Enfim-toda essa tournée maravilhosa que nos põe a cabeça em água até ao dia em que já somos nós quem dá corda ás palavras para ellas estarem a dançar.

José de Almada-Negreiros in "A invençao do dia claro" Lisboa, Olisipo 1921

Knappertsbusch Parsifal 1951 (Wagner)

Rameau, Rondeau des Indes Galantes

2º parte da minha boa acção



Espero que seja do agrado do tal Paulo aí do post lá em baixo. A coisa compôe-se...

Os olho da minha avó

A minha avó viu tudo o que haveria de ver, o que podia ser visto ,até à idade de vinte anos.
Um dia sem motivo nenhum fechou um olho e percebeu que do outro se lhe fugiam as cores e a vida, num rodopio esfumado.
Nesse dia deixou de ver para passar a adivinhar.
Como se o olho, sempre morto passasse a duvidar da própria existência ,e de como as coisas se faziam...
 _ Então menino de que cor está o mar?
 _ Azul avó!
 _ Azul...não...
  _este mar não é azul, é tão só cor de marfim. Com a cor do fundo e a cor de cima misturadas. Este mar tem relvas nas bordas e paisagens no meio.
 _ Que cor tem o mar Ana?
_É azul, mãe.
_E tu menino de que cor são os teus olhos?
_São azuis avó!
_Azuis não, que o azul nasceu para ser infeliz, cor de agua salgada...Quero-os da cor das laranjas e do sol!
_Que cor tem os teus olhos menino?
_A cor que a avó quiser...


George Sand

Cores

Deitei-me a pensar em cores.
Fugas em dó menor,
Por dentro de um caleidoscópio.
Saudades e temores a amarelo.
Eram treze da madrugada
Catorze de azul anil.

George. Sand

Esperei por ti

Esperei por ti. Sentei-me debaixo da lua e esperei por ti. Uma névoa cor de nada envolveu-me num abraço frio. Não eram mãos de ternura nem mãos de coisa nenhuma. Apenas o frio rasgado na noite. Uma qualquer noite. Fiquei ali, sentada e esperei por ti. Apenas e só.

George Sand

serviço público (com perfil)


Não conheço o Paulo Ruas, mas fui escuteira. Esta é  minha boa acção de hoje :)

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Adolpho Rocha

Desatêrro

Não te posso mentir: o teu desenho é feio:
    E a minha assinatura
       Só ia sem receio
       Para a bonita altura
       Da curva do teu seio


Mas tens o corpo são, moreno e forte
   Com promessas no rosto e na bacia:
        E a sorte
    Quando te fez assim morena e forte
       Lá pensou no que fazia!...

Eu, que sonhei contigo certa noite
  Em que tudo aconteceu,
Digo, sinceramente:
  O teu corpo rijo e quente
E amoldou-se ao meu...

Porém,
  Deus não me fez Poeta e D. João
  para ser pai:
O meu amor é raro e nunca vai
  Confirmar as palavras de ninguém...
  Amo a estéril mulher loira e criança
  Que joga a minha vida e a minha herança...
            ...E tu só podes ser Mãe!...


Adolpho Rocha in "Sinal", nº1, Coimbra, Julho de 1930, imprensa académica
          (directores e editores: Adolpho Rocha e Branquinho da Fonseca)



  

Evgeni Plushenko and Andrea Bocelli

O lago dos Cisnes e o quebra nozes

É oficial: vão-se iniciar as hostilidades da época "Cisnes e quebra nozes".
Todos os anos, mais ou menos por esta altura, ei-los que chegam!
São várias companhias, todas com nomes eslavos e décors mais que suspeitos, que invadem os Coliseus, entre o final dos concertos de verão e o começo dos circos de natal.
Temos houve em que todos os anos me pareciam os mesmos.Mas nem um pio...era o contributo familiar da minha avó para a educação artística das crianças.Sempre seguido do respectivo e opíparo lanche no Chiado.
Depois seguiu-e o inverso, em excursões com leites com chocolate e bolachas ao S. Carlos e ao coliseu com sobrinhas, filha, filhada e demais meninas da família. A tentar o impossível : que alguém se interessasse por dançar em pontas. Infrutífero. Totalmente infrutífero.
Mas eis que surge a revelação: o avô decidiu dar uma mãozinha à época "cisnes e quebra-nozes" , logo à noite. E, desta feita no gelo.
Espero que não sejam as mesmas bailarinas que sapateavam mais alto que a orquestra a aventurar-se nestes novos "territórios". Por elas, evidentemente.
As meninas estão felizes. Mais por causa das toilettes que exige o "evento", creio...
O avô: conformado.
Considero-me a partir de hoje, reformada da época "Cisnes e quebra nozes".
Assim as meninas da família dêm continuidade...para conseguirem um dia apreciar a dança.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Afonso Duarte

Creio que pouca gente o conhece.
Foi talvez um dos maiores poetas portugueses.


Cantar da Solidão

Enchem-se-me os olhos de água:
Mergulho que nunca dá superfícies,
Águas tão fundas, eu sei!

A raiz da árvore da vida,
Só nelas vai mergulhar:
águas tão fundas, eu sei,
Que nem as águas do mar,
Enchem-se-me os olhos de água


Afonso Duarte in Ossadas, Seara Nova, 1947

Escrever ou não escrever: eis a questão

Quem escreve, fá-lo porque sim. Faz parte. Acontece.
Pode ser como o arco-íris que acontece quando acontece. Ou, pode ser uma coisa estruturada, planeada, com começo e fim e, uma história pelo meio.
Admiro quem escreve assim: planeado, estruturado. Fruto de trabalho árduo.
Depois publica-se ou não se publica.
O que se publica nem sempre vale a pena. O que não se publica, deve ser igual : nem sempre valeria a pena.
Gostava de ler os livros do António Lobo Antunes, no tempo em que eram "paridos" quando eram. Agora são paridos todos os anos. Se não me falha a memória, lá para Novembro. Mais ou menos entre o novo livro do Saramago  (essa pressão desapareceu) e o Natal. Não gostei tanto dos últimos. Também não gosto do Paulo Coelho. Mas desse, não gostei nem dos primeiros. Gosto do "Só" do António Nobre. Fica ali, na prateleira, ciranda pela casa, encosta-se à almofada. É umlivro com asas. Consegue voar e tudo. Por isso...
Também gosto do Torga. Gosto muito do Torga. Do cheiro, do ritmo, das palavras em tempo de arco-irís.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

À Paris



Lecture d'extraits de "Chants magnétiques" par Claire Fercak,acompagnée à la guitarre par Billy Corgan.
Librairie Atout - Livre.
Organization Léo Scheer

Madama Butterfly - Vogliatemi bene - Jonas Kaufmann and Angela Gheorghiu

A minha vida...por um disco rigído

O computador "central" da "central"  cá de casa pifado. O wireless, atarantado. Os portáteis espalhados com os cabos a jeito de uma electrocução canina, a tentar recuperar o aparentemente, irrecuperável.  Nunca se sabe o que resta nos escombros de um disco rígido...
 O facebook, esse mordomo da adolescência,  perdido. Irremediavelmente? Esperemos que não!
Seriam todos os "adiccionados"... uma míriade de ratos mikeys e patos donalds, fruto da última moda cibernética, instalados nos quatro cantos do mundo e, dificilmente contactáveis por outro meio.
Se se vão, é para nunca mais mãe...que o e-mail também se perdeu. O Hi 5, eclipsou-se, o Ipod atarantou-se. O orkut...alguém sabe do orkut?! E os primos em S.Paulo, tadinos. Estavam à espera do trabalho de ciências...
Como?
Sim mãe, eles estão "a dar o mesmo" é só fazerem o down lowd lá. A mãe não percebe?...
Há choro e ranger de dentes na cozinha.
A culpa foi de um virús.
Alguém permitíu a intrusão do malandro.
Esgrimem-se argumentos. Procuram-se soluções. Soluça-se.
O Iraniano, girissimo, com noiva e cadillac dourado, aos 15 anos, sumiu-se.
Da Austrália e da China não se houve um único pio e lá, agora, até já é dia...ou será noite? Não interessa mãe, nos E.U.A. também não há ninguém on line. O number one aterrou?!? É só fazer as contas: ele aterrou. Garantidamente.
Aqui é que ninguém aterra há pelo menos meia hora...
A Yuri que faz anos na Moldávia já deve estranhar tanta demora...
_Mas o que é que a mãe está a fazer aí com esse portátil no meio do chão?
O cão apanhou o cabo da câmera, enfiou os auscultadores e saíu a correr. Se morde mais algum fio fica-se...
Corro! Tenho a cabeça a prémio. A vida suspensa...por um disco. Desculpem

Brahms: Symphony No. 4 / Simon Rattle · Berliner Philharmoniker

domingo, 21 de novembro de 2010

Arcangelo Ianelli

Mariana Ianelli

O melhor da poesia brasileira...




Absurda leveza que te faz afundar
E não é a morte.

Cumpres a tua descida calado
(Uma palavra por descuido
seria amputar a verdade).

Náufrago do tempo,
Tuas horas transbordam.
Dentro de lágrimas,
Imensidão, já não choras.

Estrelas e estrelas,
Copulam a sede e o engenho
De que te alimentas
Como nunca te alimentou
O gosto da carne.

Tua face atônita
Se existisse uma face,
Tuas costas nuas,
Se a nudez fosse do corpo.

Um sorvedouro
Onde a paz dos contrários,
Treva alvorada.

Fecundado, flutuas.
É a lei da graça.

in Treva Alvorada", Mariana Ianelli, Illuminuras, S.P, 2010

Vincent (Starry Starry Night) - Don McLean (legendado)

Uma boa noite. Em azul Van Gogh

Filosofia de revista

É suposto lerem-se revistas. Eu tento. Pouco, é certo, mas tento. Hoje peguei na Visão.
Artigo de fundo: o fim do mundo em 2012. Passo!
Mais à frente um suplemento. Qualquer coisa como uma loja no Chiado, japonesa, com marcas que afinal não são marcas. Passo
O mais extraordinário vinha numa "página aborrecida", já aberta ao acaso...não resisto a partilhar aqui, na impossibilidade de partilhar com Kant:

" A gaguez não é a essência da pessoa"

Eduardo Santini

Eu seja ceguinha se hoje não chego a tempo de experimentar pelo menos três (que exagero! Mas assim é que é bom!) sabores na loja nova. Não almoço e livra-te que o estaminé feche antes de eu chegar: és um homem morto! Pelo menos no meu fb. Fechas a bodega dos pralinés que andas a anunciar, antes das sete e, considera-te "falecido" por morte Santini.
Livra-te!
São 540 km por um praliné, uma zuppa (se não houver estás frito!) e o resto tanto faz que já devo estar enjoada.
Para o que me deu...

sábado, 20 de novembro de 2010

A última viagem

Cheguei. Como todos os dias, do lado nascente. Podia ser de um lado qualquer mas era assim, nascente, há vinte e quatro anos.
Do outro lado, a sombra esvoaçante, há mesma hora e no mesmo local. Durante os mesmos 24 anos.
Nunca nos olhámos.
Pelo meio, a neblina do caís, a transparência da maresia.
Sentei-me no topo de uma rocha.
Ela sentou-se no fundo de uma escada, no lado oposto.
Nada partilhávamos a não ser o espaço mudo. Ausentes de nada. Dos dois lados do caís.Uma e outra: figuras esguias. Mãos apertadas num propósito qualquer.
Podia ser que eu adiasse a partida. Podia ser que ela prolongasse a chegada. Podia ser o inverso, ou vive-versa.
Inquietas as mãos apertadas no colo. Rigorosamente durante vinte e dois minutos. Vinte e dois minutos contados a nascente. Vinte e dois minutos contados a poente... por 24 anos.
Levantei-me. Atravessei o caís e cruzei-me com ela. Uma diagonal perfeita. Geométrica.
Amanhã inversa: eu do lado poente, no fundo da escada. Ela, a nascente no princípio de nada. Numa espera alternada, simplesmente.

George Sand

fazer anos

Deixei numa caixa de comentários,ao fim da noite,para um anónimo que podia ser a minha amiga G. Essa não teve tempo de ontem fazer anos. talvez escrecreva sobre isso, sobre o tempo que temos, o tempo que não temos e o facto do dia ter sempre 24 horas.
O meu avô perante esta correria em que tornamos as nossas vidas dizia:
Correm para o caixão e nem sequer percebem...

Hoje corro a pegar nos cães, a calçar umas botas e subir pelas fragas. Talvez consiga ver os esquilos.



Fazer anos é somar sabores.
Reinventar mais vinte e quatro horas,
E adormecer outra vez.

Faz-se anos assim que se nasce.
Esses são de esperança,
De sufoco, de gritos e de lágrimas.
Fazem-se anos devagar, ao ritmo da infância, entre gargalhadas de sol e gomos de tangerinas.
Depois, anos de crescer depressa, para alcançar…outros anos.
Anos de trabalho, de esforço, de construção.
Um dia fazem-se anos sem quase se dar por isso,
São os que passam depressa demais.
Aprende-se a fazer anos com o tempo e com a vida.
Também se aprende com os bolos de chocolate e o cheiro a cera das velas ardidas.
Por isso é que se somam sempre sabores aos anos,
E ritmos diferentes, e cores variadas.
Há anos a cinzento, anos a azul, anos de todas as cores e anos só a preto e branco.
Anos de muita chuva lá fora e risos cá dentro. E outros, só de sol ameno.
Também há anos parados, encruzilhados e esquecidos.
Há aqueles que valeram tanto a pena…
E os outros que não sabemos muito bem para o que serviram.
Há anos em que sorrimos para a fotografia,
E outros em que nos rimos tanto que nos esquecemos das fotografias.
Há anos doces como o mel, outros com pouco sal, outros azedos mesmo.
Há anos em que mandamos nós. Outros, o que nos vai acontecendo
Mas que sejam sempre e sobretudo anos felizes.

George. Sand

carta ao filho


Filho
Acordei sem lágrimas.
Já não resta água
Filho.
Nem sequer esperança.
Só a dobra do teu lençol
Serenamente encostada a um sorriso.
Os dias são planura extensa
Agrilhoada em minutos
Que se multiplicam na tua demora.
Porque não vens?
Abri as portas faz tempo
meu filho
Entrou mar, entrou céu, entrou ar.
Chuva e  um sol encharcado de luz.
Assim, filho.
nas noites despidas de sonhos.

Assim...


George. Sand

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

klaus nomi

Numa rua verde

Quem mora numa rua verde?
Quem mora assim, no espaço deste espectro?
Quem é que debruça sorrisos na sacada esverdeada?
Esgares em verde-água e, lampejos de olhar em verde-nada?
A rua é incondicionalmente verde.
Substancialmente verde
no meio,
justo,
um!
só!




Voluntariado

Em Portugal é uma palavra pouco dita. As pessoas lembram-se, vagamente, nos dias de grandes peditórios. O Banco Alimentar, primorosamente defendido pela Ana Jonet, faz mexer consciências. A liga quando sai à rua também. Afinal a fome é visível nos telejornais e as doenças afectam sempre algum amigo, algum familiar, uma ou outra pessoa que aproveita a sua visibilidade pública para dizer: eu tenho esta ou aquela doença. Mas o voluntariado não é isso.
Ser voluntário não é, ao contrário do que se possa pensar: dar. Ser voluntário é essencialmente receber.
Optar por, não de vez em quando, mas de vez em sempre, receber.
Depois entranha-se e não se consegue viver sem isso.
Hoje, mais do que nunca é preciso voluntários. Muitos sorrisos, especialmente os nossos, que andam cansados, desiludidos, preocupados, a crise...fazia-nos muito bem receber alguma coisa. Não é preciso muito tempo. basta um bocadinho. Não é preciso abraçar grandes causas, nem grandes "dores", pelo menos para os que não estão habituados.
Às vezes as pessoas ficam desapontadas: eu queria trabalhar nesta ou naquela área como voluntário e não me deixam...como em tudo, é preciso começar pelo princípio. Ora procurem aí ao pé de casa. na paróquia da zona. falem com o pároco, falem na junta de freguesia, dêem uma voltinha na net e vão ver o mundo de sorrisos que está à vossa espera.
Quem viveu fora do País, sabe que voluntariado é parte inerente de cidadania em muitos sítios. Como ir ao ginásio ou passear o cão: reserva-se uma tarde, um serão, uma manhã para acumular sorrisos. Porque o mais importante para se ser voluntário é essa ideia: ser-se voluntário é receber . dar é uma consequência tão natural que nem nos chegamos a aperceber dela.