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sábado, 27 de maio de 2017

VI Encontro de Escritores Lusófonos na Bienal de Culturas Lusófonas


Decorreu o VI Encontro de Escritores Lusófonos da Bienal de Culturas Lusófonas de Odivelas onde tive a honra de estar presente.
Um espaço de partilha de escrita, de afectos, de sabores e de amizades.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Páscoa - Sabia que os tinha morto a todos, aos milhares




Sabia que os tinha morto a todos, aos milhares.
De desesperança, de tristeza, de angústia, em dias pares ou dias ímpares, indiferente…
Sabia que os tinha morto mas nem por isso lhes guardava qualquer imagem. Tão-somente uma amálgama de lágrimas que se desfaziam em poças pequenas e fundas  e que a perseguiam fosse para onde fosse... era tudo,  o que deles lhes restava.
Sempre que saía do carro, lá estava a água salgada, debruada de alcatrão ou lama, no caso de também ter chovido, a desbotar-lhe os sapatos de pele, a manchar-lhe a gabardine de griffe, a atrasar-lhe o passo…
O passo, era a única coisa que realmente a preocupava nessa questão de água de lágrimas e de poças de gente, que lhe torneavam o caminho… E o passo tinha que ser mantido rigoroso, absoluto e cadenciado, em direcção ao alto, fosse qual fosse o lugar ou,  a circunstância.
O passo firme e sem desnorte a que se habituara cedo, muito cedo, ainda por alturas do início dos sonhos.
Agora, já não se lembrava sequer que existiam sonhos. Só passos.  

Sabia que os tinha morto a todos, aos milhares.
Apesar disso e, quem sabe se por causa disso,  nesse domingo de Páscoa, tirou do bolso os ovos de Páscoa que tinha ido buscar e começou a pintá-los.
Pintou-os em traços largos, de azul e esperança. Coisas que nunca tinham feito parte do seu quotidiano, o azul e a esperança, mas dizia-se… salvavam.
Não tinha a absoluta certeza de alguma vez vir a precisar de ser salva, no entanto, pintou-os metodicamente em traços largos de azul e  de esperança.
Nesse domingo de Páscoa, em que sabia, que os tinha morto a todos, aos milhares.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Paisagem




Atravessou toda sua a paisagem, em passos miudinhos, do início até ao fim.
Para trás, tinha deixado o seu próprio disfarce, escrito ainda em traços indecisos e, um pequeno raio de sol.
As nuvens baixas, não lhe tocaram sequer os dedos. E a música, essa, soletrava-se de memória de cada vez que o vento o empurrava para a frente.
Em baixo, sempre o soubera, não haveria nem distância, nem imagem, nem sequer um único lugar.
 Só a velocidade turva da vida, em permanente desequilíbrio…




na imagem: o mapa matemático de Nikola Tesla para a multiplicação

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Convite


Um convite do Delmar Maia Gonçalves para um projecto em que tenho o gosto de participar.
Com prefácio do Mário Máximo.
Apareçam!


quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Marulhar D'alma




Desconhecia que te despirias de horizonte.
Já te tinha visto a dançar, por dentro de quase todos os sois da minha memória, mas desconhecia que te despirias de horizonte.
Pediste-me silêncio e ali fiquei, numa lonjura desmedida, entre os teus passos . Quase esquecida, num absoluto marulhar de alma.


Imagem: quadro de  Lev Russov