sábado, 31 de agosto de 2013

Emelin Requiem


Se descesse a noite, a noite seria um  único sopro. A rasar o  inequívoco.
Se raiasse o dia, o dia seria brisa mansa.
Ainda que chovesse, ainda que o vento se levantasse primeiro, na inversa proporção do teu sussurro - inaudível.
Nada mais haveria por contar, no mar vago das minhas imersas recordações.
O teu tempo Emelin, jazeria.  Pousado, no lugar de tudo o que se reconta. Sem futuro Emelin, sem futuro...

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Que outra coisa, são as palavras?


Tinha-as contado de véspera: doze adjectivos, algumas preposições, um pacote inteiro de papel manteiga,  com os  cantos primorosamente  dobrados, de encontro aos verbos. Calculava que deveria ter os bastantes.
Faltava virem entregar-lhe as prometidas interjeições, mais logo, pela hora do almoço...


Que outra coisa, são as palavras, senão meras vírgulas, acotoveladas à existência?

sábado, 20 de julho de 2013

Vestido em tempo de vento




Antes de ontem fora o tempo. O tempo rodado no limite absurdo da bainha da sua saia.
Abotoado por fora da existência, entre casas e colcheias que lhe chegavam aos calcanhares.
E no dia anterior, fora o espaço. O espaço cingido de encontro ao peito.Com intervalos debruados.
Amanhã, seria certamente o resto do infinito, porque de hoje…de hoje só se lembrava do vento.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Grand rond de coeur en l'air



Antes de tudo, era necessário apertar bem as emoções. Enroscá-las na fita larga. A alma em pontas. A vida arrondi. E,  o ar:  brisé.
A
vant en, le coeur... en air !


terça-feira, 9 de julho de 2013

A Magia das Chaves - Sete Chaves, no lugar do teu coração


Era difícil entrar em casa, com a memória assim, escancarada de fresco.
Rodar sete vezes as chaves que trazia ao peito, desde que nascera, parecera-lhe sempre, uma tarefa improvável.
Sete vezes dissera-lhe a mãe, antes de morrer. Sete vezes…cada uma das sete chaves, para o lado de onde te soar o teu coração.
E as escadas a galgarem-lhe o pensamento.
E, as portas que rangiam de encontro aos sopros que vinham do quintal.
O coração a sobrepor-se, numa linha imaginária, que se estendia, pela sombra dos ombros, até ao patamar maior da sua existência…

Um desafio...e mais um conto.Espero que gostem!

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Muito antes, da eternidade


Ao tempo, sucedia-se então, o tempo. Não na mesma cadência consentida, do milésimo à eternidade, que houvera, quase sempre. Mas sim, nesta nova e absurda amálgama de segundos a absorverem-lhe as horas.Segundos, a sorverem-lhe os quartos para as horas, que são em si mesmos, os lugares apropriados, para se acontecer.
Segundos, que só não se tornavam  em sempre, porque a eles se sobrepunha, agora,  essa amálgama  desconhecida dos minutos des-compassados, em milésimos sem rumo.

A paz, do relógio da sala,  ficara  por isso, antes de um  meio, de um princípio, de um fim.
E a tarde que se fazia manhã, em resto de anoitecer... sem lhe permitir ousar sequer, a memória.
Com medo de a perder, ajustou-a ao pulso e deixou-se ficar.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Contos Capitais


Estará nas livrarias, a partir de 4 de Abril.
Espero que gostem
A minha escolha, foi Londres.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

No patamar da sua existência


Era difícil entrar em casa, com a memória assim, escancarada de fresco.
Rodar sete vezes a chave que trazia ao peito, desde que nascera, parecera-lhe sempre, uma tarefa improvável.
Sete vezes dissera-lhe sempre a mãe, antes de morrer. Sete vezes…para o lado de onde te soar o teu coração.
E as escadas a galgarem-lhe o pensamento.
E, as portas que rangiam de encontro aos sopros que vinham do quintal.
O coração a sobrepor-se, numa linha imaginária,  que se estendia pela sombra dos ombros, até ao patamar maior da sua existência…


Ponte



Há um trapézio, na lua sim. Estendido, entre os dois lados da noite.
Numa ponta o teu crepúsculo, na outra, a minha alvorada.