sábado, 8 de novembro de 2014
Quiosque amarelo
Desceu a par e passo, até ao largo, inundado de luz e pespontado a quiosque amarelo.
Comprou o jornal dessa manha e embrulhou meticulosamente, com ele, o olhar. Depois, dirigiu-se às margens, que lhe sulcavam devagarinho o espanto. E só aí, se desaguou em foz.
A Fotografia é do fotógrafo Pedro Soares de Mello
sexta-feira, 7 de novembro de 2014
Assombração
Saltou do seu nicho, ao primeiro olhar do sol.
Se teria sido anjo, nunca o saberia...tornar-se-ia assim, pela força das circunstâncias, a sua própria assombração.
A fotografia é do fotógrafo Luís Leal
sábado, 11 de outubro de 2014
Penas e pássaros
(…)De repente a mulher que todos os dias me vendia o pão,
era uma garça. E por todo o lado só se viam penas e pássaros, penas e pássaros,
penas e pássaros.Uma infinidade de penas e de pássaros, numa cidade, que
amanhecia a voar.
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
CaSO4 + 1/2 H2O
Anunciou ao mundo, que iria escrever a eternidade. Imortaliza-la para sempre. Ou pelo menos, por todo o tempo que se lembrasse.
Ficaria ali, em lugar de destaque Absolutamente, repleta de si.
Susteve a respiração e escreveu:
CaSO4 + 1/2 H2O.
domingo, 31 de agosto de 2014
Brevíssima viagem
Ainda há pouco te dizia...não tem preço esse meu horizonte. Traçado assim, longitudinalmente, à tua brevíssima viagem.
(quadro: "Onemt VI" de Barnett Newman )
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
S. Martinho do Porto
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
Beatriz e os cabelos de céu.
Vivem assim, na brevidade do tempo. Curto, para nós que temos tempo. Longo, para eles que sabem da existência e do infinito.
Vivem assim, entre esta terra tão agreste, e a possibilidade de estenderem os dedos e puxarem devagarinho os cabelos ao céu.
Assim que estendem as mãos pequeninas, o céu baixa-se, de repente. Depois divertem-se a puxar-lhe os cabelos.
Julgo que passam muito tempo, a enrolá-los com as pontas dos dedos. Nos dias piores. Sobretudo, nos dias piores.
Ás vezes damos com eles, entretidos a pregar os olhos brilhantes, ao fundo da nossa alma.
Não estão ali. Ali, estão só de passagem.
Os olhos é que estão ali, pregados momentaneamente, ao fundo das nossas almas.
Quando partem, é como se nos dissessem tudo aquilo que já adivinhávamos...somos anjos. Sempre o fomos. Nem por um minuto, alguma vez, deixámos de o ser.
-Viste? Bastava-me estender as mãos para brincar com os cabelos de céu.
Serenamente, continuarão a fazê-lo.
Só não voltam a pregar os olhos, ao fundo da nossa alma.
Mas basta uma única vez...para perceber porque o fizeram.
domingo, 3 de agosto de 2014
Se o mar se voltar...
Dizem-me que o barco está lá fora, no lago, à espera que o
mar não se parta. Que o mar não se volte. Que o traçado de luz lhe indique a estreiteza do caminho por entre as pedras e
os baixios, Até ao noutro lado, feito
espelho de prata.
Se o mar se voltar, só o mar restará. Se o mar se voltar…
Fotografia: Pedro Soares de Mello
Se o mar se voltar, só o mar restará. Se o mar se voltar…
Fotografia: Pedro Soares de Mello
quarta-feira, 30 de julho de 2014
Em fissura de infinito
Desmembrei-me
de todas as curvas da minha vida. Menos de uma: aquela que me pareceu revelar,
lá bem no fundo, uma pequeníssima fissura de infinito…
Estreita, é certo. “Entre calada” de muito antes e de tanto porém. Mesmo assim, uma curva com uma pequeníssima fissura de infinito. Aconchegada ao canto supremo do olhar.
Sinfonia com a largura do tempo, pensei eu.
De todo o tempo, que um dia passará a correr, por dentro de mim.
De resto, nada mais haveria nessa paisagem. Feita de rectas. Absolutamente semibreves
Estreita, é certo. “Entre calada” de muito antes e de tanto porém. Mesmo assim, uma curva com uma pequeníssima fissura de infinito. Aconchegada ao canto supremo do olhar.
Sinfonia com a largura do tempo, pensei eu.
De todo o tempo, que um dia passará a correr, por dentro de mim.
De resto, nada mais haveria nessa paisagem. Feita de rectas. Absolutamente semibreves
sexta-feira, 25 de julho de 2014
Sem lugar de mim
Deixei os soluços, as lágrimas e o vento que me abraçava a garganta, atrás da porta.
Para dentro, trouxe apenas uma brisa ténue, sem nenhum rasto de mim...
Depois, simplesmente, adormeci.
(o quadro é do pintor Eduardo Naranjo)
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