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domingo, 13 de março de 2011

Ser e Ter

Nunca como hoje, o Ser esteve tão condicionado...ao Ter. Foi mesmo, em muitos casos substítuido.
É preciso a todo o custo consumir. Os hábitos sociais estão quase todos, sem excepção ligados ao consumo. Não falo do consumo de bens prioritários e de primeira necessidade, mas dos outros.
É-se porque se está, se pratica, se frequenta, se usa. É-se na medida em que se está incluído e, se sente incluído.
Aparece-se...para almoçar, para beber um copo, para ir de férias, para uma festa, para um jantar. Quase ninguém convida para aparecer, só. Para estar, só. Para conversar, só.
A crise, que se traduz essencialmente numa crise económica e financeira é, na sua essência, uma crise de valores.
Porque essa inclusão do individuo, enquanto tal,  está condicionada à assumpção de determinado cânones, quase todos ligados ao consumo: ao ter, portanto.
Começou por ser um fenómeno dos "emergentes".  Motivo de piada fácil. Mas hoje, de uma forma ou de outra, é transversal à sociedade. Mudam os cânones, as linguagens, os rituais. Mas o Ser, esse, está quase sempre ausente.
Depois surgem os discursos de falta de ideais, de líderes...nada de concreto, nada de palpável... porque uma sociedade que Tem (mais ou menos, não importa) ,mas não É, é uma sociedade "descartável". Presa falsa de demagogias...

2 comentários:

  1. Gostei imenso de a ler, George. É a falta de uma identidade (ou de um carácter). Os outros, nessa falta, acabam por nos identificar pelo que temos. E nós também, porque deixámos de pensar no que somos e no que quereríamos ser, e apenas pensamos no que temos e no que quereríamos ter. :-)

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  2. Fico feliz por ter gostado.
    É de facto a falta do Ser, que nos transporta à ilusão do Ter. E,ao vazio subsequente.

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