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segunda-feira, 21 de março de 2011

Os primeiros passos

De um escritor, são sempre interessantes. Normalmente, mais tarde renegados pelos próprios, por precocidade e falta de qualidade.
Adolfo Casais Monteiro iniciou-se com um livro publicado pela Presença em 1929, dedicado aos pais e à avó. Tem desenhos de Júlio e poemas dedicados aos amigos. Um deles José Régio...escritor proeminente na altura: já tinha escrito "Poema de deus e do diabo" em 1925 e preparava-se para lançar a ...Biografia. Saíu pela presença, esta Biografia, em forma de sonetos, igualmente em 1929.
Aqui fica o primeiro poema dado à estampa, no primeiro livro de Adolfo Casais Monteiro. Chama-se Poeta. (um bom nome para se começar)

Poeta

Poeta: uma criança em face do papel.
Poema: os jogos inocentes,
invenções de menino aborrecido e só.
A pena joga com as palavras ôcas,
atira-as ao ar a vêr se ganha ao jôgo:
os dados caem: são o poema: Ganhou

Adolfo Casais Monteiro, in "Confusão", Presença, Coimbra, 1929


(este post é dedicado hoje, especialmente, ao meu avô. Que foi colega e amigo de muitos dos escritores desta época, em Coimbra, e me deu estas preciosidades)

4 comentários:

  1. Muito giro, George. É um pouco a ideia que faço da generalidade da poesia: um jogo entre palavras e emoções. (Há a poesia que é um jogo entre palavras e razão, mas essa parece-me ser a excepção que confirma a regra). ;-)

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  2. Obrigada Luísa.
    É pouco conhecido este poema, mas lembra-me as pessoas mais importantes da minha vida: um poeta e o outro, grande leitor de poesia que me deu estes livros.

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