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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Pérolas

Não há duas pérolas iguais.
Mesmo  se semelhantes e, escolhidas pela cor e formato, para assentar no fio que as fará colar, nunca serão rigorosamente iguais.
Haverá sempre uma mais baça e outra, que irradia felicidade.
Uma que rola serena, na palma da mão. E outra, que mal se deixa manusear.
Uma vez  a uso, poucos ou nenhuns notarão a diferença.
Serão pérolas, ladeadas de outras pérolas e, de mais pérolas.
A isto: chama-se cultura.
Foram feitas assim, para serem parecidas , mesmo que diferentes. Para poderem, parecer, parecidas.
Uns anos antes, alguém encheu os cercados de ostras, exactamente do mesmo calibre para depois, uns anos mais tarde, se fazerem colares.
Há  no entanto, aquelas, que ao  nascerem  espontâneas, apanhadas a pulso, aqui e ali, se fizeram raras. Espera-lhes  por isso, uma liberdade diferente: nunca serão iguais.
Quando muito conseguiremos juntá-las num mesmo rosto, paralelas ao mesmo olhar e, mais nada.
Livres de fios e soltas de fechos. Deslumbrantes. Serão sempre estas, as autênticas, que nos farão sonhar.

4 comentários:

  1. George Sand,
    Excelente texto! Parabéns. Comungo exactamente desta definição de pérolas. Aliás não há jóia mais bela do que as pérolas. Vêm do fundo mar, não são tiradas das minas, nem fazem morrer os homens.
    Em Roma comprei um frasquinho de um xarope intitulado "Perle della Saggezza" na igreja de Santa Maria della Vittoria, já o tomei todo. Foi o presente que dei a mim mesma que mais me deliciou. Tomar as pérolas para adquirir o que aqui narra neste texto. Ainda não consegui adquirir a "saggezza". Em Toledo comprei um livro no Museu da Sinagoga del Transito, intitulado: Selección de Perlas, um livro com registo de máximas morais, sentenças e histórias. O seu texto podia fazer parte.

    Abraço e obrigada pelo texto que me tocou e no qual me revejo.

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  2. Obrigada eu Ana.
    Adorei a ideia do xarope de pérola. Acho que vou experimentar.
    Vamos partilhando estas exeriências de escrita, que é tão bom!

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