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segunda-feira, 23 de maio de 2011

Onde estão?

Não estão Maria, já não estão.
Mas eram tantos...então?
Não, Maria. Não estão.
Não Maria, não eram.
Eram apenas rostos necessários, a colorir a paisagem, da tua condição.
A rir no tempo próprio, do lugar comum.
Sem distinguirem um abraço da necessidade de te dizer não.
E foram Maria, para outro palco, rir de outras coisas, com outras gentes...
Quem ficou então?
Os que esperam Maria.
Os que que voltam a esperar Maria.
E depois, corajosamente, ainda e sempre, te estenderão a mão.
São esses que ficam agora Maria,
Como ficavam então.
Riram-se e calaram-se.
Disseram que sim e disseram que não.
Zangaram-se.
Mas ficam Maria...
Pregados de ternura, nas tábuas do teu chão.
À espera do tempo certo, no lugar exacto.
Se chorares Maria, eles chorarão.
Se te mudares Maria eles mudarão.
Se te fores Maria, eles lá estarão.
Quietos, à espera, na sombra da solidão.
À espera Maria, à espera...
E os outros?
Os outros Maria, eram apenas fruto da tua imaginação.
Nunca existiram.
Apenas permaneceram.
E foram Maria...
E não voltam, não.
Estão lá longe Maria, no passado que não muda,
No presente que já não te acolhe,
No futuro que não reconhecerás
Mesmo que amanhã, seja dia de folia...
Eles, lá estarão.
Tu Maria, tu não,
Ficarás aqui abraçada à tua paisagem,
À procura da tua  nova imagem.
E eles Maria, os que esperam
Como  um espelho,
Do teu coração.

3 comentários:

  1. Georg Sand,
    Gostei muito, muito mesmo! Parabéns.
    "Tu Maria, tu não,", é o que sinto neste momento por isso este poema fala para mim.
    Beijinho!
    ana (IN)Cultura
    Estou com problemas em comentar com o meu username.

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  2. Obrigada a Luz e a Sombra.
    Ana, se o poema fala para si então,é porque também é para si. Essa a essência da poesia

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