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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Alinhavos de Vida

Recosemos vezes sem conta...
A imaginação aos sonhos.
O tempo que passa às recordações.
As imagens, aos destemperos.
As lágrimas aos abraços.
A Música alinhavamos nos passos,
Resquícios dos desgovernos..
Feitos destinos,
Remendados nos laços,
que se desfazem,
pouco a pouco,
em novelos.
Bainhas  de pesadelos...
Da vida cerzida, apressada.
alinhavada em compassos,
destemperados de nada.
E no tempo de gargalhar,
tão breve que quase espanta,
Alfinetamos de raiva,
a dor que ainda enche a garganta.
No fim, não resta,
senão um pesponto perdido,
No cose e recose esquecido,
de uma vida,
mais que remendada.


(a Fotografia é do fotógrafo Mário Castello)



10 comentários:

  1. Ultimamente as palavras andam a fugir todas para o papel.. Mas de forma ordenada e harmoniosa, muito inspirada!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. É destes remendos que se vive a vida.
    Obrigada.

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  4. Nem todas :) Obrigada João. Beijo grande

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  5. É verdade Sofia. Eu é que agradeço pelo seu "pesponto".

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  6. Gosto dos versos. Mas porquê um final tão desiludido?

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  7. Enquanto houver vontade e agulhas afinadas, os finais nunca serão desiludidos, mesmo que os tenhamos que recoser muitas vezes, ao longo da vida

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  8. ...e porque hoje gotas de chuva também me lavaram a alma
    ...e porque hoje também despi meu corpo e me olhei inteiro
    ...e porque hoje senti a sombra da minha ausência
    ...e porque hoje sorri à solidão e não fechei a janela
    ...e porque hoje abri a porta e entrei dentro de mim
    ...e porque hoje berrei o silêncio e o grito calei
    ...aqui vim e me quedei sorrindo do choro que ainda não chorei

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  9. Cosemos e recosemos... mas não faz mal!
    A vida, só por ser vida, merece esse recoser...!

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