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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Mariana Ianelli





PIETÀ

Por delicadeza
Devia cada um resolver seu vestígio,
Não deixar o corpo a esmo,
Atravessado na passagem,
Sem desejo, sem enigma.

Mas se me fica o teu corpo
Eu te arrepanho nos braços
Com a maternidade do ofício
E lavo os teus ombros
De quanto pesou sobre eles,
O teu sexo, que a nenhum afago responde,
Lavo os teus pés, o ato mais santo.

Eu te arremato, eu te limpo da vida,
Faço com que desapareças,
Que o teu equívoco me abasteça
Da razão dos humildes.

Fardo ensoalhado, esse,
De amparar o meu próprio destino.

Mariana Ianelli in "Treva Alvorada", Iluminuras, 2010


Mariana Ianelli, um nome que é já uma afirmação, na poesia de lingua portuguesa,  para nós Portugueses, continua a ser um nome pouco conhecido...

Nasceu em são Paulo, em 1979 e conta já com uma vasta obra poética.
Trajetória do antes (1999)
Duas Chagas (2001)
Passagens 2003)
Fazer silêncio (2005) Finalista dos prémios Jabiti 2006 e Bravo! Prime de Cultura 2006
Almádena (2007) Finalista do prémio Jabuti 2008
Treva Alvorada (2010)

Recebeu ainda o premio  Bounge de Literatura na categoria Juventude e foi no ano passado, finalista do Portugal Telecom. 


2 comentários:

  1. Eu não conhecia.
    E fiquei verdadeiramente impressionado

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  2. Pedro Coimbra,

    A Mariana Ianelli, por incrivel que pareça, não está editada em Portugal.
    No Brasil estão a ser editados os autores portugueses. Em Portugal a literatura brasileira chega a conta gotas...

    ResponderEliminar