Pesquisar no Blogue

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O pacote

Recebi-o, faz tempo.
Era um embrulho bonito, de papel lustroso e com laço perfumado. A fazer adivinhar um presente.
Chocalhei e abri um bocadinho, assim de lado. As coisas boas, que aprendemos, quando somos crianças... o papel cedeu. Não era suposto, um papel daquela qualidade ceder assim, ao primeiro toque.
Mas parecia grande e, mesmo depois de manuseado, ainda me aguçava a curiosidade. O que quer que fosse que lá estivesse dentro....apetecia.
não tive pressa. Demorei os olhos no laço, no brilho aparente, no azul.
Pensei em começar pelo laço...quando reparei que tinha um nó. Não foi difícil desatá-lo. Era um nó desses normais, que existem em quase todos os pacotes, ou mesmo, num simples atacador.
Só que por baixo, havia outro e outro e mais outro. Feri as mãos e, não fui capaz.
Exigia tesoura, de precisão.
Ainda me levantei para a alcançar... quando reparei que a letra era estranha, démodé. E,  o endereço insuficiente...foi então que resolvi devolvê-lo à proveniência.
Mandei-o registado. De todas as formas que me foram possíveis. Os avisos de recepção foram chegando... o pacote, estava vazio, afinal!
Era só um embrulho bonito.
O que me parecia chocalhar, um resto de mais papel. Daquele que usamos para acomodar qualquer coisa. Que neste caso, entretanto, há muito se tinha extraviado por aí. Restava o laço e o papel lustroso, a fazer de conta, que haveria presente.



6 comentários:

  1. Belo. Metafórico. A sua simplicidade desconcerta-me. O importante não é o presente, o laço ou o papel bonito. O importante é o poder chocalhar...

    ResponderEliminar
  2. Origada Luís Bento.
    Os envólucros são o que menos conta. E os nós asfixiam, a alma.

    ResponderEliminar
  3. Hummm...devagarinho, segui todas as letras, com curiosidade. Afinal não havia prendinha! Mas o percurso foi muito interessante. Obrigada Filipa

    ResponderEliminar
  4. Acontece.É um bocadinho como aquelas caixas grandes que vêm dentro de outras e outras e outra e outras e mais outras. Até restar só o sonho...

    ResponderEliminar
  5. Pois é... há tanto embrulho por aí sem nada dentro...

    ResponderEliminar