segunda-feira, 12 de maio de 2014

Geração 95

A geração 95, de 1995, é a geração da minha filha.
São independentes, cidadãos globais e lutadores.
São aparentemente desligados de uma data de coisas que a nós nos dizem tanto e surpreendentemente, estão tão perto...assim, com uma escrita de quem tem 19 anos e acabou de nascer, ali ao virar da esquina, dos anos noventa...
O blogue é da minha filha Inês. Chama-se geração 95 e aqui fica.

http://bloggeracao95.blogspot.pt/

sexta-feira, 25 de abril de 2014

E a noite, num flash


 

 Dália, em passo apressado de flor, traçava-me cuidadosamente a eyeliner, o flash: certeiramente. A olho, dizia… por forma a conseguir reter melhor a luminosidade de cada um, dos tantos que me aguardavam, a escassos minutos, no palco.
Ainda a tempo de vestir a alma e abotoar a emoção, despedi-me então, de mim.
O tributo, seria de ora em diante, apenas e só, de todos eles.


Fotografia: Pedro Soares de Mello



quinta-feira, 10 de abril de 2014

Pudesse eu...ser mulher


Desta vez, o desafio foi diferente. O texto foi feito, sobre a instalação da artista plástica Dulce de Macedo.
Está em exposição na Câmara Municipal de Vizela



Pudesse eu, ser mulher.

Deram-me o espaço e o tempo. E as portas abertas para lugar nenhum.
Deram-me janelas, completamente desertas.
Depois, deram-me as horas. Todas as horas, que eu quisesse, para poder pensar. E um rosto pálido, descolorido, de tanta ausência.

A espaços, cediam-me bocadinhos de vida. Creio que de alguém,  não sei.
Eram retalhos coloridos, que eu encaixava, meticulosamente, entre os minutos de todas essas horas. A segundos, por vezes, das recordações.
Como se eu pudesse, ter recordações…
Alegrias limitadas e consentidas, por ora. E, permanentemente vigiadas.

Alguma vez, se assim fosse, eu começaria, lentamente,  a construir-me de coisa alguma. De sabor, de calor, de barro, de cor, de acontecimentos… Ah, nesse dia, eu saberia: seria então, mulher!
As minhas janelas teriam vista de horizonte. Prados de mar e, lagos de erva-doce.
As minhas portas cheias de gente.
Um dia…pudesse eu, ser mulher!


Filipa Vera Jardim

(na fotografia acima: a instalação da autoria de Dulce de Macedo)

quinta-feira, 27 de março de 2014

Poesia- RTP África



Programa Bem-vindos, RTP África.
Com a Vera Fornelos e o Delmar Gonçalves. A propósito das palavras. Daqui e, d'além mar.

nota: a bloguer não é muito "televisiva". Assim sendo, tratou de dizer o essencial. E, sempre numa posição absolutamente estática.

http://www.rtp.pt/play/p1441/e148333/bem-vindos-2014

domingo, 23 de março de 2014

A um pequeno passo, do luar




Anoitecera cedo. Num repente, percorreram de mãos dadas toda a alameda, outrora ensolarada.
A mim, deixaram-me unicamente as sombras.
Embrulhei-me delas. E, abriguei-me… a um pequeno passo, do luar.


Fotografia de Pedro Soares de Mello

4º Festival Internacional de Poesia Grito de Mulher

 
 
 
Tenho muito gosto em participar no 4º Festival Internacional de Poesia Grito de Mulher.

Será em Lisboa, no Colégio Pio XII, nos dias 29 e 30 de Março

sexta-feira, 7 de março de 2014

Horizonte



Pedem-me que alcance o horizonte. Por cima de todos os cinco mares.
Como se o horizonte, não estivesse no fundo, rotativo, do infinito.
Como se os cinco mares, não se dessem as mãos, em toda a sua lonjura. E a água, não soubesse voar...


A fotografia é do Pedro Soares de Mello

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Despojos da noite



Os despojos da noite

Deixei-os entregues à lua,
De fim de festa,
E a lua foi-se, a dançar…
Ficou o vermelho: vivo, ardente, suspenso...
De um beijo de organza,
Entre esta terra e o ar

O amarelo de riso,
Feito na cor do limão.
Rosa, balanço esquecido,
De um corpo,
Entre a minha, a nossa alma,
E a cor branca do chão.

E de todas as cores que se fez,
Essa noite de riso azul de poente,
Ficámos para sempre
Feitos de ar,
De cor e de gente…


Fotografia: Pedro Soares de Mello

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Muito antes, da eternidade



Ao tempo, sucedia-se então, o tempo. Não na mesma cadência consentida, do milésimo à eternidade, que houvera, quase sempre. Mas sim, nesta nova e absurda amálgama de segundos a absorverem-lhe as horas.
Segundos, a sorverem-lhe os quartos para as horas, que são em si mesmos, os lugares apropriados, a se acontecer.
Segundos, que  nunca se tornariam em sempre,  porque a eles se sobrepunha, agora,  essa amálgama  desconhecida dos minutos des-compassados e,  sem rumo.

A paz, do relógio da sala,  ficara  por isso, antes de um  meio, de um princípio, ou de um fim.
E a tarde que se fizera manhã, em resto de anoitecer... sem lhe permitir ousar sequer, a memória.
Com medo de a perder, ajustou-a ao pulso e deixou-se ficar.



quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Infinito


Vou-te contar uma história:
-Não há na terra inteira, mais do que infinito...cem anos, inteiros, de infinito!