quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Valsa de máscaras sob o céu de Tépsis
Começaremos a noite, com um olhar penetrante, num abismo rendilhado. Intransponível, entre a minha imagem resguardada. E, o teu silêncio prometido.
Doze serão as valsas a completar a nossa paisagem. Num compasso mais que necessário.
Nem menos um passo. Nem menos uma nota. Nem menos uma gargalhada contida.
Rasgaremos assim o tempo, devagar, num soberbo espectáculo, antecipado, de nós. Sob o céu estrelado de Tépsis...
No tempo próprio. Antes do naufragar das estrelas, pela orla breve do amanhecer, cairão as máscaras. Todas as máscaras. Sejam elas, de rasgos de papel, tecidas de pasmo, enfeitadas em tinta, ou temperadas no ferro.
Uma e depois a outra. Ou uma, sobreponível à outra.
Imagens distorcidas, já sem espelho. Vazias.
Alcançado, agora somente pela tua mão, estará o meu sorriso. Ou, se preferires, pela mão de Adónis. Para assim, deslizares sereno, junto ao canto da alma e, te embriagares de mim.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Numa roite de bússolas e sextantes de luar
Nada à vista, a não ser a respiração vagarosa da luz, prometida pela cadência desconcertante da lua. Ora em passos longos de volta redonda. Ora em minudências de ritmos apertados.
Ondas vagamente iluminadas, encerravam sempre viagens prolongadas. E o destino era tão incerto, quanto os caminhos de si.
Saía sempre tarde. Sem rota traçada, numa carta de mar aberto.
Hoje a percepção de uma onda de mágoa. Amanhã a lucidez, da alegria esfuziante, de um dia de abraços. Retido por todas as gotas da memória, que se pudessem dali abarcar.
Não havia nunca redes lançadas ao mar.
Nada para retirar, à força, do tempo.
Só uma estrada plena e, sem rumo preciso, no alcance de toda uma noite.
Amanhã, os caminhos seriam outros. Poderiam leva-lo a um molhes de gargalhadas, ou a um abalroamento manso de imagens, mais ou menos desfocadas.
Viajaria sempre. E cada vez mais. Para dentro, cada vez mais para dentro. Num horizonte pleno, de um suave marulhar.
E de todas as noites que partia, vestia-se de espanto. Por nunca, mas nunca, naufragar.
Ondas vagamente iluminadas, encerravam sempre viagens prolongadas. E o destino era tão incerto, quanto os caminhos de si.
Saía sempre tarde. Sem rota traçada, numa carta de mar aberto.
Hoje a percepção de uma onda de mágoa. Amanhã a lucidez, da alegria esfuziante, de um dia de abraços. Retido por todas as gotas da memória, que se pudessem dali abarcar.
Não havia nunca redes lançadas ao mar.
Nada para retirar, à força, do tempo.
Só uma estrada plena e, sem rumo preciso, no alcance de toda uma noite.
Amanhã, os caminhos seriam outros. Poderiam leva-lo a um molhes de gargalhadas, ou a um abalroamento manso de imagens, mais ou menos desfocadas.
Viajaria sempre. E cada vez mais. Para dentro, cada vez mais para dentro. Num horizonte pleno, de um suave marulhar.
E de todas as noites que partia, vestia-se de espanto. Por nunca, mas nunca, naufragar.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Jardineiro de urze nas portas da Primavera
Não havia pressa. O sol que se espreguiçasse entre as margens, com o Douro a sorver-lhe a luz.
Passar de um lado para o outro, seria um simples sopro. Mal a brisa do fim da tarde se levantasse.
Por agora a quietude necessária a uma conversa de planuras.
Onde mais poderia questionar a alma sobre a ligeireza dos dias, com que ia deixando vazios, os canteiros, em que insistia em arrancar flores. Todas as flores, uma a uma, para plantar somente urze.
Seria assim, de urze, que as portas suspirariam, na esquina da Primavera, a dar passagem ao rio, respondia-lhe o eco.
De urze apenas...
Não haveria por isso lugar a pétalas suaves, na borda de água. Nem sequer por ordem dos sonhos coloridos de borboletas...
(a fotografia foi tirada da net)
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Guarda chuva de abraços
Podias ter passado por cima de cada uma das gotas, que ecoavam, do último patamar da tua existência. Não fora dar-se o triste caso de teres nascido sem asas. Nenhumas asas. Nem daquelas, pequeninas, que nos embalam devagar, os sonhos. E, nos permitem fingir que voamos. Mesmo que seja só até ao cimo do quarto. No espaço de divisória da placa, aos pés do armário, repleto de recordações, dos vizinhos do quarto andar.
Foi por causa disso, que bordei, a tarde toda, um guarda chuva de abraços. Pequenos. Entrelaçados. Partindo do princípio que se sairias assim, sozinho, num dia de chuva, sem saberes voar, nunca mais te encontrarias.
Foi quase isso... A água que caiu toda a noite, ensopou-te de tal forma os olhos, que de manhã, só por mero acaso, os encontrei.
Estavam vazios e meios desmaiados de luar.
por cima, duas mãos estendidas, enrodilhadas nas linhas coloridas . Os nós desfeitos. O pontos perdidos.
O que restava do meu guarda-chuva...de abraços.
A fotografia é do fotógrafo Mário Castello
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Carta à minha memória ( III )
III
Silêncio
Minha memória,
Recebo quase tudo. Em catadupa.
Os natais que me mandas aos pares. Com enfeites escolhidos
criteriosamente, nos anos felizes. Chegam ainda com os laços da alma e
os nós da festa por desatar. Porque todas as festas têm nós. Às vezes
desatam-se e outras vezes permanecem...
Também recebo muita gente. Gente que não esqueço. Empacotada esmerada mente em sorrisos que se
acotovelam à minha existência e, me vão fazendo cócegas por cima de
tudo, do que já me habituei a reaprender. Vezes e vezes sem conta.
Não sei se já te disse, mas esses envelopes de alma, em que me remetes a vida, cheiram a lavanda.
E os selos especiais de girassois...Chegam exaustos. De pescoços
torcidos, nas voltas e reviravoltas do correio. Mas sempre carimbados de
sol.
um dia vou tirá-los cuidadosamente com uma pinça, dentro de uma bacia de
água, como fazia o meu avô. Nos tempos em que já era dono de uma grande
parte de ti, memória. Para os colar, quem sabe, num futuro...
Recebo tudo, como te digo, mas não recebo nem as ausências, nem as pausas, sobretudo os silêncios.
O que fizeste com esse tempo de respiração, eu não sei...
Mas se não me mandas os meus silêncios de vida, pode ser que nunca mais
consiga desabotoar a imaginação, que me retempera os dias.
Há muito barulho aqui. Demasiado barulho e pouca ausência. Por mais que procure...
Eu sei que havia silêncios. Muitos silêncios. Ausências...um fio de vento que me percorria os dedos, a murmurar paisagens.
Encontro alguns, mas não todos.
manda-mos. Saberei escolher os necessários, para continuar.
Até sempre memória.
F.V.J.
(este texto foi escrito originariamente para o blogue Cartas aos mollhos (Palavras aos folhos) )
(a imagem foi tirada da net)
(a imagem foi tirada da net)
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
4 de Fevereiro - Dia Mundial contra o cancro
Um dia, este dia, que celebramos todos os dias, afinal, não precisará de efeméride para ser lembrado. Esperemos, que assim seja...
Até lá...parece-me que talvez a receita acima, seja mesmo, uma das mais importantes.
A todos os que aqui passam, que por este ou aquele motivo já sentiram de mais perto, razões acrescidas para esta comemoração, a minha solidariedade.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Sol entornado em quarto minguante
Foi o dia todo assim, num destempero de gargalhadas. A pontilhar de prata o azul. A correr atrás das sombras, até as fazer corar.
Uma dança frenética de cores. Aqui e ali, adoçadas por gelados, desmaiados, nas mãos nuas, como se fosse mesmo verão.
Rimou com calor.
Rimou com brincadeira.
Rimou com faces afogueadas.
Ritmos coloridos num areal surpreso. De grãos, acordados à força.
Diz quem a viu, que passou o dia escondida. Acabrunhada, entre o último toldo, ainda por montar e, o paredão. Numa nesga branca de quase nada.
Uma pálida e esguia figura. A lembrar uma qualquer fatia de melão esquecida, da última estação... Debruçada sobre a sua própria sombra...numa nesga ínfima de luz. Nas mãos um copo. Um minúsculo copo, sem mais nada.
Passou o dia a passear. Em mangas de água morna. De braço dado, ora ao Suão, ora à à brisa alegre que vinha do mar.
Sorriu com os peixes. Apanhou conchas fechadas e, abriu-as com o olhar rasgado de luz .
Às mãos cheias distribuiu carícias...
Subiu alto. O mais alto que lhe foi possível, para poder acenar.
Sem nenhuma discrição, fez despir os abafos, Descalçar as meias, que convidavam à transparência.
Jazia ali, num embalo próprio do tempo que não se mede, mas que se sabe que acontece. Os joelhos encostados ao queixo. Uma névoa a trespassar-lhe a alma, feita de restos de luar...
As horas passaram. Quem estava na praia, ainda, viu.
Ela levantou-se, frágil. Encheu o copo com os restos desse sol destemperado, num Inverno, rodopiante de luz. E, sem dizer nada, entornou-o, por cima do mar.
Subiu ligeira. E, lá está a balouçar, em quarto minguante...
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