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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Um Homem de sabão, desfeito de gente



Experimentou...apesar de todos lhe dizerem que era feito de sabão, sair à rua num dia de chuva. Não derreteu mais do que o necessário para escorregar o silêncio no alcatrão. Foi só isso que aconteceu: escorregou o silêncio no alcatrão.
Mas ao contrário do que se podia prever, não se desfez.

Mal chegou a casa, despiu a gabardina, descalçou os sapatos e sem saber porquê,  começou então a chorar.
As lágrimas correram céleres e foram deixando um rasto de bolas de sabão, que pouco a pouco lhe foi desfazendo as ideias…
Uma a uma, rolaram, perdidas,  pelo chão.
A ideia de(vida) a ser assim.
A ideia parecida, com não poder.
A ideia de achar que era capaz.
A ideia sincera do acontecer.

A ideia esquecida,
de um tempo passado.
A ideia feita, destemperada,
A ideia de quase tudo...
no desespero.
Tão perto da ideia,
de quase nada.

Chegou ao fim,  da única forma possível: desfeito de gente.

13 comentários:

  1. Ideia corajosa que arrosta com as intempéries, Ideia feita poema que persegue o nada que, por sua vez, se transforma no quase tudo...

    Um texto original, com uma ideia original e muito envolvente.

    Bj

    Olinda

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  2. Obrigada Olinda.
    Deixei escorrer as palavras, na dança da chuva e, deu ...nisto.

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  3. Concluo que se tratava do verdadeiro OMO sapiens :))

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  4. Pedro Coimbra,

    Não sei se era mais o OMO sapiens se o PRESTO, aquele que tinha uns glutões redondos, capazes de engolir qualquer nódoa...grandezas publicitárias!

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  5. Muito bom!...e o comentário do Pedro Coimbra está genial:)

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  6. Muito bom! Aqui , além de boa escrita também há boas ideias...

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  7. Obrigada Hugo M. E, o Comentário do Pedro Coimbra está de facto muito bom.

    Obrigada Luís. Publiquei mais pela ideia.Precisa ser trabalhada, eu sei.

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  8. (Aproveitando a boleia do Pedro Coimbra, que comentou de forma soberba)
    OMessa, então ainda há quem acredite em publicidades? Assim sendo, no fim apenas fica a factura por pagar e um monte de roupa por lavar.
    Gostei muito da ideia, dos desperdícios em saponária...

    Beijo :)

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  9. Às vezes a vida tem muito, de desperdícios em saponária.

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  10. Excelente texto, sublinho o comentário do Pedro Coimbra!

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