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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

A Literatura Juvenil

Foi uma luta.
Começou tinha eu dez anos, pelas mãos do meu avô.
-Que andas a ler?
Mostrei-lhe envergonhada um qualquer livro juvenil de capa ilustrada e cantos retorcidos de tanta leitura...
-Mas não está já isso lido? Vem cá.
Pela primeira vez, entrei na biblioteca do meu avô, sem que o destino fosse a cadeirinha baixa de costura, delícia suprema de qualquer um dos netos, convidado a entrar no gabinete do avô.
As paredes forradas de livros. De um lado o direito. Do outro a história, a literatura, a filosofia, os ensaios, as revistas que chegavam do estrangeiro...
-Vou-te dar um livro. É pequenino e não é difícil. Serve para aprender a pensar. É para meninas assim, que não se calam e perguntam muito.
O livro era pequenino, servia de facto para pensar e, não me pareceu nada complicado "O Discurso do método" de Descartes.
Acabei aí a literatura juvenil.

Anos mais tarde, deparei-me com uma guerra mais feroz. De uma escolaridade impositiva que arrasta a literatura juvenil até ao absurdo...reagi. Desta feita, com Eça de Queiroz.
Enfrentei uma série de mães acusadoras...a menina, coitadinha, a ler Eça de Queiroz... e por fim, a professora:
- não são idades para se ler Eça. São idades para se ler a Isabel Alçada.
Pois que não. Que a Isabel Alçada (com todos os méritos, que os tem) já estava lida, relida e trelida e que em casa, liam-se os livros da prateleira. Iria ser Eça.
O final do ano lectivo e os que se seguiram deram-me razão.

Como querem que os jovens saibam escrever, interpretar um texto, se não lhos dão?! Será que ainda não perceberam que se lê na medida do tamanho da alma? Não será o mesmo Eça, que a minha filha revisitará daqui a uns anos...como não foi o mesmo Décartes, que  fui reecontrando pela vida.
O Lugar da literatura juvenil existe. Mas tem um tempo. Curto.
Há que dar lugar a mares largos, na aventura das palavra.



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