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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Nunca iria ser poeta





Não iria ser poeta. Jamais iria ser poeta.
O tempo das palavras delirantes, angustiadas, desarvoradas,  arrumadas por linhas e linhas de angústia e sofrimento, não faria sentido...faria com  que não fizesse sentido.
Uma boa noite de sono. E as palavras surgiriam tão serenas como os dias. Ou muito mais serenas, ainda, do que os dias. Numa constância de parágrafos desassombrados, ao encontro de enredos mais ou menos expectáveis.
Não, não iria nunca ser poeta. Passar o tempo a semear palavras que depois exigiriam monda e regadio. 
Dias e dias de emoções,  a gear em cima de estrofes. De chuvas de medos,  torrenciais, a derrubar rimas. De seca...de seca...de seca...num movimento ritmado do pó do tempo, que abafa a memória e deixa a história  quase toda por contar...
Não não iria ser poeta. Os dias  sofridos em substantivo. As noites passadas em verbo...

Respirou suavemente, todas as sílabas de que se lembrou. Que transportavam um ar puro, levezinho.
Encostou-as à janela e deixou-se escorregar para um sono sem memória
De manhã, não se lembraria de nada...

17 comentários:

  1. Adorei este texto poético... sonhado... inspirado... sentido!
    Um post lindo que nos faz sorrir de prazer.

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  2. Anónimo/a,

    Obrigada

    mfc,

    Obrigada. Ainda bem que gostou.

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  3. Talvez ser poeta seja um desígnio insondável
    como um verso imprevisto

    Bjo.

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  4. Filipe Campos Melo,

    Bonito comentário. Fica esse verso imprevisto...
    Obrigada

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  5. palavras orvalhadas pela noite.

    colar de palavras (ou pérolas) escorrendo por entre dedos. suaves e belas

    beijo

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  6. heretico,

    Bonita a imagem do colar de palavras.
    Obrigada :)

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  7. palavras semeadas na noite e que o vento não as leva no dia.

    gostei muito.

    um beij

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  8. Obrigada Piedade A. Sol.
    Bj

    Puma,
    A liberdade das palavras a contrastar com os grilhões da imagem...ou talvez não...
    Obrigada

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  9. Acho que não escapará ao fado de ser poeta... E ainda bem para nós! :)

    Bjs

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  10. És-me Poeta, substantivo próprio à beleza de teus/nossos versos.


    Beijos.Me

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  11. M,

    A poesia não é, efectivamente, uma escolha.
    Obrigada

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  12. George Sand,
    Muito belo este texto... um oásis no deserto em que às vezes nos tornamos.
    beijinho. :)

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  13. A vida sem poesia é um deserto

    mas nos desertos há vida

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  14. Ana,

    Espero nunca me tornar num deserto. Tento fazer por isso.
    Obrigada.
    Bj

    Mar Arável,

    Também gosto da vida, colorida com poesia

    Obrigada

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