sábado, 19 de setembro de 2015

Uma metade de infinito




Encostou-se devagarinho ao muro de pedra.
Do lado de lá uma metade de infinito, escorregava devagarinho pelo horizonte.
Do lado de cá, nunca o quisera admitir, mas uma mesmíssima metade de infinito escorregava devagarinho, pelo horizonte.
Encostou-se ao muro, a contar as brisas, que inevitavelmente o transformariam em pó.
Ficaria por pelo menos cinco mil anos…O tempo de se esquecer dos infinitos e dos horizontes.
O tempo de nunca mais se recordar que ali, tinha havido um muro.
O tempo de erguer um outro muro e, ter a certeza absoluta,  que do lado de lá, haveria pelo menos uma metade de infinito a escorregar pelo horizonte…

(na fotografia a escultura KRIPTOS de Jim Sanborn)

12 comentários:

  1. Houvesse o infinito sem ser pela metade...

    Boa noite, George Sand. :)

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    1. Quando há muros, há sempre duas metades...de um mesmo infinito.
      Obrigada.

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  2. Se as brisas conseguissem derrubar o muro para não esconder nenhum pedacinho de infinito...

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    1. Era muito bom Luísa. Mas mesmo assim...quando isso acontece e cinco mil anos depois, os muros voltam a ser erguidos.
      Um beijinho Luisa

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  3. Os muros que agora voltam a uma Europa que se sonhava sem fronteiras.
    Boa semana

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  4. como aguentar o "peso" do infinito sem muro que o sustente?...

    excelente.

    beijo

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    1. Há sempre quem lide mal com infinitos.
      Obrigada

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  6. ~~~
    ~ Os muros são barreiras lamentáveis, por mais que se recrie o infinito.

    ~~~~~~~~~ Para si, dias infinitamente agradáveis e felizes. ~~~~~~~~~
    ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

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    1. E a terra que continua redonda...apesar dos muros.
      Obrigada Majo

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