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segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Álvaro Lesma


Álvaro Lesma

O Sr. Álvaro Lesma
Morador num rés de chão,
Da rua da Consolação,
Ataviado em desgraça,
De sorriso miudinho,
Atreveu-se dizer a medo
Muito a medo e devagarinho,
Ao vizinho,
Político de profissão:
Olhe que mais… também não!

Não? Mas é dia de eleição!
Rosna o político convicto,
Do alto do patamar:
Marche Lesma, que por hora
Só lhe prometo desventura.
Um dia, quem sabe,
Dou-lhe o troco,
Da minha bica lambida,
E do meu pastel de feijão.

Verga-se o Lesma, choroso
Com o lencinho dobrado,
Os números todos decorados,
O fiscal,
O de pobrezinho,
O da fila dos remédios,
O de senha de contenção
O do dia da eleição…
Olhe que mais…também não!

Não?
Ai Lesma que me desgraça…
Não seja por sua graça,
Como me remedeio eu?
Ande lá com o papelinho,
Prometo-lhe eu, um tachinho,
Uma panela que seja, 
O anel da sua Engrácia,
Quem sabe…
Uma devolução!

E o Lesma todo curvado,
O sorriso miudinho,
Em artes de gingão,
Diz-lhe de lá muito ufano:
Votar eu voto...
Mas só com uma condição:
Trocamos já de morada
Desce o vizinho, subo eu,
Até à próxima eleição!

Filipa Vera Jardim

(Ilustração de Raphael Bordalo Pinheiro)



4 comentários:

  1. Afinal o que interessa é o lugar...
    Gostei muito deste seu (novo) estilo.:)

    Bj
    Olinda

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  2. ~~~
    ~ Interessantíssimo,
    o seu poema irónico e picaresco!

    ~ Grata pelo humor delicioso... ~
    ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

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    Respostas
    1. Também é preciso de vez em quando, um bocadinho de humor. :)Obrigada Majo

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