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terça-feira, 25 de setembro de 2012

No sétimo degrau a contar do último acontecimento, da sua vida


Desviou-se apenas um milímetro, da curva da porta . Completamente aberta para a existência. E,  sentou-se,  precisamente, no sétimo degrau, a contar do último acontecimento, da sua vida.
Matutou longamente....
O sexto acontecimento estava logo acima, acocorado num degrau,  pleno de água,  que lhe escorria agora,  pelas costas.
Tinha havido pelo menos dois luares e um sol. A somar a quase toda a brisa do mundo. Fora breve? Nem sequer sabia...
Breve era a existência, escancarada, assim, para lugar nenhum.

Do quinto acontecimento, não tinha, sequer memória.
E no quarto, não havia, nenhuma história. Tempos e lugares esparsos. Apenas e só.
Limitou-se a matutar longamente.
O vento, do fim do dia, empurraria com força, a porta. E, faria então, ranger-lhe, os olhos.

14 comentários:

  1. Para cada acontecimento um degrau. O pior é quando se falha algum, escorregando ou colocando um pé em falso...

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  2. Falharemos muitos. Ou, em última análise, nem sequer lá estavam...tudo é possível.

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  3. Um belo regresso. No caminho encontramos sempre escadas. Sete é um número excelso.
    Beijinho.

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    1. Obrigada Ana o número sete é muito especial, si,
      Bj

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  4. porta aberta para a existência. e a serena inquietude da brisa cumprindo-se nos olhos ressequidos.

    belíssimo

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  5. Também gosto muito do número sete, e este momento aqui descrito parece-me tão místico como ele.
    Obrigada por o partilhares!
    Beijos

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    1. Todos os momentos são especiais. Sobretudo, quando se tornam memória.
      Obrigada
      beijos

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  6. As palavras desenham-se
    como imagens, espaços, cenários
    (ascendemos os degraus em verso, passo a passo)

    E depois pensamos (no que o poemas diz)
    Pensamos

    Deparamos com a poderosa simbologia,
    o contagiante significante que nos invade
    e nos seduz em rendição

    Gostei Muito

    Bjo.

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  7. Bom dia, George Sand

    Um caminho de regresso aos picos da memória.

    Um belíssimo texto.

    Bj

    Olinda

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    1. Muito obrigada Olinda.
      Regressarei sempre aos picos da memória.

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