segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Havia que retomar o tempo



Havia que retomar o tempo. As voltas concêntricas da vida, o desalinho do entardecer na paisagem côncava do meu lugar.
Havia que retomar o tempo, devagar.
 A promessa branda da simetria das horas que demoravam a enrolar-se na quietude.
O desafio ondulante de mais uma maré que irrompia de um espaço oportuno, a subir, a subir. E os tornozelos destapados na areia breve a cingirem-se às algas que chegavam às mãos cheias.
Havia que retomar o tempo todo, os sonhos todos, as interjeições e o luar.
O tempo numa cadência presente de absoluto. Matéria e energia, comportamento e causa, em cadência absoluta, desmesurada,  pendular.


Imagem:  Composição VIII de W. Kandinsky

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