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quinta-feira, 10 de abril de 2014

Pudesse eu...ser mulher


Desta vez, o desafio foi diferente. O texto foi feito, sobre a instalação da artista plástica Dulce de Macedo.
Está em exposição na Câmara Municipal de Vizela



Pudesse eu, ser mulher.

Deram-me o espaço e o tempo. E as portas abertas para lugar nenhum.
Deram-me janelas, completamente desertas.
Depois, deram-me as horas. Todas as horas, que eu quisesse, para poder pensar. E um rosto pálido, descolorido, de tanta ausência.

A espaços, cediam-me bocadinhos de vida. Creio que de alguém,  não sei.
Eram retalhos coloridos, que eu encaixava, meticulosamente, entre os minutos de todas essas horas. A segundos, por vezes, das recordações.
Como se eu pudesse, ter recordações…
Alegrias limitadas e consentidas, por ora. E, permanentemente vigiadas.

Alguma vez, se assim fosse, eu começaria, lentamente,  a construir-me de coisa alguma. De sabor, de calor, de barro, de cor, de acontecimentos… Ah, nesse dia, eu saberia: seria então, mulher!
As minhas janelas teriam vista de horizonte. Prados de mar e, lagos de erva-doce.
As minhas portas cheias de gente.
Um dia…pudesse eu, ser mulher!


Filipa Vera Jardim

(na fotografia acima: a instalação da autoria de Dulce de Macedo)

6 comentários:

  1. Respostas
    1. Obrigada Maria Eu.
      Mérito maior para a artista plástica. O texto foi inspirado na obra de Dulce de Macedo.

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  2. quem ilustra o quê? texto? instalação?
    fosse permitida uma síntese e dir-se-ia "que as janelas se abriram para o horizonte..."

    belíssimo.

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    Respostas
    1. Obrigada herético.
      As palavras completam e completam-se...em todos os horizontes.

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