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sábado, 14 de julho de 2012

Existência, num murmúrio, do fundo do coração





  Desenhou uma espiral na entrada da casa.A afunilar, directamente,  à estrada do pensamento.
Não se percebia muito bem da porta, quantos passos se teriam que dar, para ultrapassar toda a realidade, rodar a maçaneta aos sonhos e, desembocar numa passadeira, sem vivalma.
Mandava então parar o tempo, aquietar o espaço e seguia.
A viagem era sempre a da existência. Sem destino preciso e sem direcção definida.
Guiava-o uma bússola, que herdara do seu avô. E um marca-passos, amarelado, de vitrina partida e ponteiros seguros por um elástico, que lhes permitia contar a vida, segundo, a segundo, por uma boa parte da eternidade.
Todos os dias percorria sozinho, uma boa parte da eternidade.
Não havia esperança nem contemplação, na viagem.
As bermas permaneciam inertes e a paisagem, permanentemente  indefinida.
Depois de horas de repensar o que o levava. Passava  outras tantas horas, a ensimesmar-se, sobre o  que o traria.
ainda hesitou, por um dia, desviar-se. A causa, foi um  pequeno murmúrio,  que  pareceu ouvir, do fundo do coração...

19 comentários:

  1. Convém sempre ter um instrumento de orientação, talvez seja mais importante se tiver sido herdado.
    Depois há murmúrios que fazem toda a diferença,sempre vibrados em tons fortes.

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    1. São os murmúrios que fazem a diferença Concha. E é preciso saber escutá-los.
      obrigada
      Bj

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  2. Esse murmúrio disse-lhe que afinal estava vivo e que o caminho era para continuar...
    Beijinhos,

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    1. Obrigada.
      Talvez o caminho, seja mesmo para continuar.

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  3. vibração dolente de ave ferida.
    redentor "o pequeno murmúrio"...

    gostei muito.

    beijo

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    1. Obrigada herético. É só mesmo um pequeno murmúrio, no meio da vibração.
      Bj

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  4. "Todos os dias percorria sozinho, uma boa parte da eternidade".
    Nascemos sozinhos, morremos sozinhos e quantas vezes, de facto, vivemos sozinhos momentos de eternidade...

    Muito bonito!

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  5. Obrigada Lídia Ponti.
    É verdade que nascemos sozinhos, vivemos sozinhos e vivemos sozinhos muitos momentos de eternidade.Outros: compartilhamos.

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  6. Que merda

    sequesrado no paraíso

    não sou livre

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  7. Nunca somos totalmente livres.
    Mas devemos lutar pela felicidade

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  8. Não sei se conhece
    http://beq.ebooksgratuits.com/vents/Dostoievski-Sand.pdf

    Cumprimentos
    Lídia.P

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  9. George Sand,

    Uma bússola, um mapa, uma mala cheia de sonhos e talvez o murmúrio se torne mais dissipado.
    Uma viagem feliz (a pensar nas férias)
    Beijinho. :)

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    1. Obrigada Ana
      Será uma mala, do tamanho do arco-íris.
      Beijinho e umas boas férias, também para si

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  10. A eternidade é um conceito imperfeito
    uma fissura no tempo

    "um pequeno murmúrio"

    Bjo.

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  11. Pelo tempo que nós quisermos
    Obrigada.

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  12. por vezes os murmúrios (do coração) mudam tudo.

    belo texto.

    um beij

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    1. É verdade. É sempre no limite do quase inaudível...que se consegue dizer tudo.
      Bj e obrigada Beatrice

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