segunda-feira, 16 de maio de 2016
Existência, num murmúrio, no fundo do coração
Desenhou uma espiral na estrada da casa, a afunilar directamente, à estrada do pensamento.
Não se percebia muito bem, da porta, quantos passos se teriam que dar, para ultrapassar toda a realidade, rodar a maçaneta aos sonhos e, desembocar numa passadeira, sem vivalma.
Mandava então parar o tempo, aquietar o espaço e seguia.
A viagem era sempre a da existência, sem destino preciso nem direccão definida.
Guiava-o uma bússola que herdara do seu avô. E, um marca-passos amarelado, de vitrine partida e ponteiros seguros por um elástico, que lhe permitia contar toda a vida, segundo a segundo, por uma boa parte da eternidade.
Todos os dias percorria sozinho, uma boa parte da eternidade,
Não havia nem esperança nem contemplações na viagem.As bermas permaneciam inertes e a paisagem, permanentemente indefinida.
Depois de horas a repensar o que o levara, pesava outras tantas a ensimesmar-se sobre o que o traria...
Ainda hesitou, por um dia, desviar-se. a causa, foi um pequeno murmúrio, que pareceu ouvir, do fundo do coração (...)
quinta-feira, 17 de março de 2016
6º festival Internacional de Poesia Grito de Mulher
Estarei presente mais uma vez, no Festival Internacional de Poesia Grito de Mulher. A decorrer em Lisboa dias 19 e 20 de Março. Apareçam!
sábado, 27 de fevereiro de 2016
Licungo
Hoje é apresentado em Lisboa mais um número da revista Licungo em que tenho o gosto de participar.
Uma edição do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
Em suspensão
Atravessou toda sua a inconstância, em passos miudinhos, do início até ao fim.
Para trás, tinha deixado o seu próprio disfarce, escrito ainda em passos indecisos e um pequeno raio de sol.
As nuvens baixas, não lhe tocaram sequer os passos. E a música, essa, soletrava-se de memória de cada vez que o vento o empurrava para a frente.
Em baixo, sempre o soubera, não haveria nem distância, nem paisagem, nem sequer um único lugar. Só a velocidade turva das vidas, em permanente desequilíbrio…
Na imagem: "Funambulo" de Fernando de la Jara
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
segunda-feira, 9 de novembro de 2015
Passos
Digo-te passos
Enquanto palavras rolam no chão.
Digo-te movimentos
Sopros do impossível.
Passo,
Tu passas
Nos nós silenciosos
(escuro dos olhos)
Há os teus medos inoportunos
A galgarem as manhãs.
Filipa Vera Jardim in "II Antologia de Poesia Contemporânea" coordenada por Luís Filipe Soares, Lisboa, 1985
(fotografia retirada da internet)
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
Absoltuto
Quantas vezes posicionarão eles o infinito, para que o meu
luar, seja realmente eterno?
Sentou-se de pernas cruzadas e desenhou um x, no lugar onde o mundo, sendo uno, se vestia agora de lua nova e percebeu que ninguém poderia ser excluído. Absolutamente ninguém. Nem a sua própria identidade, fosse como fosse.
Para isso, bastaria apenas que cada um dos deuses, se e absolutamente se… pronunciasse.
(a fotografia foi tirada da internet)
Sentou-se de pernas cruzadas e desenhou um x, no lugar onde o mundo, sendo uno, se vestia agora de lua nova e percebeu que ninguém poderia ser excluído. Absolutamente ninguém. Nem a sua própria identidade, fosse como fosse.
Para isso, bastaria apenas que cada um dos deuses, se e absolutamente se… pronunciasse.
(a fotografia foi tirada da internet)
terça-feira, 20 de outubro de 2015
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
Limite
Viverei no único lugar que não tenha raízes, nem terra, nem braços de árvores sibilantes, nem colinas desvairadas à procura de um caminho.
Viverei no único lugar que não tenha caminho. Somente permanência,… Feita de ondas temperadas, em cadência firme, de vento de abraço e de sopro de mar.
(´Fotografia de André Boto)
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
Se um dia me perder
Se um dia me perder,
Remetam-me em viagem,
A mim, que ainda não me sei.
Se um dia me perder,
Porque a seu tempo…...
Eu me acharei.
Remetam-me em viagem,
A mim, que ainda não me sei.
Se um dia me perder,
Porque a seu tempo…...
Eu me acharei.
Filipa Vera Jardim.
(na fotografia, algumas das 5500 crianças austríacas, refugiadas de guerra, acolhidas em Portugal entre 1947 e 1952 ao abrigo do programa da Cáritas)
(na fotografia, algumas das 5500 crianças austríacas, refugiadas de guerra, acolhidas em Portugal entre 1947 e 1952 ao abrigo do programa da Cáritas)
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