quinta-feira, 17 de março de 2016

6º festival Internacional de Poesia Grito de Mulher



Estarei presente mais uma vez, no Festival Internacional  de Poesia Grito de Mulher. A decorrer em Lisboa dias 19 e 20 de Março. Apareçam!

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Licungo


Hoje é apresentado em  Lisboa mais um número da revista Licungo em que tenho o gosto de participar.
Uma edição do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Em suspensão



Atravessou toda sua a inconstância, em passos miudinhos, do início até ao fim.
Para trás, tinha deixado o seu próprio disfarce, escrito ainda em passos indecisos e um pequeno raio de sol.
As nuvens baixas, não lhe tocaram sequer os passos. E a música, essa, soletrava-se de memória de cada vez que o vento o empurrava para a frente.
Em baixo, sempre o soubera, não haveria nem distância, nem paisagem, nem sequer um único lugar. Só a velocidade turva das vidas, em permanente desequilíbrio…


Na imagem: "Funambulo" de Fernando de la Jara

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Passos



Digo-te passos
Enquanto palavras rolam no chão.
Digo-te movimentos
Sopros do impossível.
Passo,
Tu passas
Nos nós silenciosos
(escuro dos olhos)
Há os teus medos inoportunos
A galgarem as manhãs.

Filipa Vera Jardim in "II Antologia de Poesia Contemporânea"  coordenada por Luís Filipe Soares, Lisboa, 1985

(fotografia retirada da internet)

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Absoltuto


Quantas vezes posicionarão eles o infinito, para que o meu luar, seja realmente eterno?
Sentou-se de pernas cruzadas e desenhou um x, no lugar onde o mundo, sendo uno, se vestia agora de lua nova e percebeu que ninguém poderia ser excluído. Absolutamente ninguém. Nem a sua própria identidade, fosse como fosse.
Para isso, bastaria apenas que cada um dos deuses, se e absolutamente se… pronunciasse.

(a fotografia foi tirada da internet)

terça-feira, 20 de outubro de 2015

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Limite


Viverei no único lugar que não tenha raízes, nem terra, nem braços de árvores sibilantes, nem colinas desvairadas à procura de um caminho.
Viverei no único lugar que não tenha caminho. Somente permanência,… Feita de ondas temperadas, em cadência firme, de vento de abraço e de sopro de mar.



(´Fotografia de André Boto)

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Se um dia me perder



Se um dia me perder,
Remetam-me em viagem,
A mim, que ainda não me sei.
Se um dia me perder,
Porque a seu tempo…...
Eu me acharei.

Filipa Vera Jardim.

(na fotografia, algumas das 5500 crianças austríacas, refugiadas de guerra, acolhidas em Portugal entre 1947 e 1952 ao abrigo do programa da Cáritas)

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Álvaro Lesma


Álvaro Lesma

O Sr. Álvaro Lesma
Morador num rés de chão,
Da rua da Consolação,
Ataviado em desgraça,
De sorriso miudinho,
Atreveu-se dizer a medo
Muito a medo e devagarinho,
Ao vizinho,
Político de profissão:
Olhe que mais… também não!

Não? Mas é dia de eleição!
Rosna o político convicto,
Do alto do patamar:
Marche Lesma, que por hora
Só lhe prometo desventura.
Um dia, quem sabe,
Dou-lhe o troco,
Da minha bica lambida,
E do meu pastel de feijão.

Verga-se o Lesma, choroso
Com o lencinho dobrado,
Os números todos decorados,
O fiscal,
O de pobrezinho,
O da fila dos remédios,
O de senha de contenção
O do dia da eleição…
Olhe que mais…também não!

Não?
Ai Lesma que me desgraça…
Não seja por sua graça,
Como me remedeio eu?
Ande lá com o papelinho,
Prometo-lhe eu, um tachinho,
Uma panela que seja, 
O anel da sua Engrácia,
Quem sabe…
Uma devolução!

E o Lesma todo curvado,
O sorriso miudinho,
Em artes de gingão,
Diz-lhe de lá muito ufano:
Votar eu voto...
Mas só com uma condição:
Trocamos já de morada
Desce o vizinho, subo eu,
Até à próxima eleição!

Filipa Vera Jardim

(Ilustração de Raphael Bordalo Pinheiro)