segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Por onde me naufragar




Esperei que o rio me lavasse os sonhos.
O rio lavou-me todos os sonhos.
Lavou-me até o tempo, que eu esperei, para que o rio me lavasse os sonhos.
Lavou-me de cima abaixo o tempo, os sonhos, e o resto o rio deixou muito bem ensaboado.
Não fosse o rio, numa gargalhada a escorrer quase até ao final, tal a lonjura do mar… E eu não saberia sequer, por onde me naufragar.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Zalala 2015



A honra de participar em mais uma publicação do Círculo de escritores Moçambicanos na Diáspora - Zalala 2015.




(Zalala fica na  região da Zambézia, em Moçambique. Conhecida pela sua praia de grande beleza)

sábado, 18 de julho de 2015

Senti-me gota



Nasci em rio e riso. A correr de margem em margem.
Sorviam-se os olhos aquosos,  à passagem célere.
Sabia-me tanto a fresco.
Debrucei-me...e vi-me enroscada no caudal. Aconchegante.
A viagem, espiralou-se, até  onde me parecia que  infinito podia esconder-se todo, num único copo transparente.
Sem querer, escorreguei pela canto de uma boca...e senti-me gota.

sábado, 11 de julho de 2015

Maratona Poética - S. Tomé e Príncipe


Com todo o gosto aceitei o desafio - Maratona poética dedicada a São Tomé e Príncipe, amanhã na Casa Internacional de São Tomé e Príncipe.

São Martinho do Porto. Momentos...



«São Martinho do Porto - Momentos...», de Filipa Vera Jardim e Pedro Soares de Mello
«De vez em quando, o apelo do mar era mais forte. Do mar a sério, de cabelo...s ondulados e voz cheia. Não desta mansidão, embalada em concha. Subíamos as dunas ou corríamos até ao fundo do túnel… e era ali que o horizonte se entrecortava por uma ou outra embarcação, dessas que saíam num bordo mais largo, para logo voltarem ao ventre. Ou das outras, que mais longe rumavam a porto incerto. De cada um dos lados, um altar de pedras. À direita, António, padroeiro, exangue. Peito aberto a todas as marés, sem excepção, que lhe roubavam o já ínfimo espaço. À esquerda, Romeu, o viajante, a atravessar-nos os dias de marés que ora rolavam por cima dos seixos, ora se nos enrolavam nas pernas com limos grossos. Do tamanho de árvores, dizia-se, presas num fundo de jardim sem nome. Do padroeiro, António, com altar definido, sabia-se quase tudo. Primeiro, mais acima, na capelinha caiada; depois, ali, onde outrora houvera um outro areal. Desse Romeu, de Julieta errante, pouco se saberia…»

quinta-feira, 18 de junho de 2015

São Martinho do Porto, momentos...



"Há lugares de onde nunca se regressa, apenas se permanece. Sempre que se volta, o tempo volta connosco (...) "

Uma homenagem de afectos a S. Martinho do Porto, terra do meu coração.
Em parceria com o fotógrafo Pedro Soares de Mello.
Já à venda (FNAC, Bertrand...)

Para quem conhece esta terra, de mar fechado em concha, será um reencontro. Mais um reencontro. S. Martinho do Porto é feita de muitos reencontros.
Para quem ainda não conhece... espero que uma feliz  descoberta.