sábado, 11 de julho de 2015
Maratona Poética - S. Tomé e Príncipe
Com todo o gosto aceitei o desafio - Maratona poética dedicada a São Tomé e Príncipe, amanhã na Casa Internacional de São Tomé e Príncipe.
São Martinho do Porto. Momentos...
«São Martinho do Porto - Momentos...», de Filipa Vera Jardim e Pedro Soares de Mello
«De vez em quando, o apelo do mar era mais forte. Do mar a sério, de cabelo...s ondulados e voz cheia. Não desta mansidão, embalada em concha. Subíamos as dunas ou corríamos até ao fundo do túnel… e era ali que o horizonte se entrecortava por uma ou outra embarcação, dessas que saíam num bordo mais largo, para logo voltarem ao ventre. Ou das outras, que mais longe rumavam a porto incerto. De cada um dos lados, um altar de pedras. À direita, António, padroeiro, exangue. Peito aberto a todas as marés, sem excepção, que lhe roubavam o já ínfimo espaço. À esquerda, Romeu, o viajante, a atravessar-nos os dias de marés que ora rolavam por cima dos seixos, ora se nos enrolavam nas pernas com limos grossos. Do tamanho de árvores, dizia-se, presas num fundo de jardim sem nome. Do padroeiro, António, com altar definido, sabia-se quase tudo. Primeiro, mais acima, na capelinha caiada; depois, ali, onde outrora houvera um outro areal. Desse Romeu, de Julieta errante, pouco se saberia…»
«De vez em quando, o apelo do mar era mais forte. Do mar a sério, de cabelo...s ondulados e voz cheia. Não desta mansidão, embalada em concha. Subíamos as dunas ou corríamos até ao fundo do túnel… e era ali que o horizonte se entrecortava por uma ou outra embarcação, dessas que saíam num bordo mais largo, para logo voltarem ao ventre. Ou das outras, que mais longe rumavam a porto incerto. De cada um dos lados, um altar de pedras. À direita, António, padroeiro, exangue. Peito aberto a todas as marés, sem excepção, que lhe roubavam o já ínfimo espaço. À esquerda, Romeu, o viajante, a atravessar-nos os dias de marés que ora rolavam por cima dos seixos, ora se nos enrolavam nas pernas com limos grossos. Do tamanho de árvores, dizia-se, presas num fundo de jardim sem nome. Do padroeiro, António, com altar definido, sabia-se quase tudo. Primeiro, mais acima, na capelinha caiada; depois, ali, onde outrora houvera um outro areal. Desse Romeu, de Julieta errante, pouco se saberia…»
sexta-feira, 3 de julho de 2015
quinta-feira, 18 de junho de 2015
São Martinho do Porto, momentos...
"Há lugares de onde nunca se regressa, apenas se permanece. Sempre que se volta, o tempo volta connosco (...) "
Uma homenagem de afectos a S. Martinho do Porto, terra do meu coração.
Em parceria com o fotógrafo Pedro Soares de Mello.
Já à venda (FNAC, Bertrand...)
Para quem conhece esta terra, de mar fechado em concha, será um reencontro. Mais um reencontro. S. Martinho do Porto é feita de muitos reencontros.
Para quem ainda não conhece... espero que uma feliz descoberta.
sexta-feira, 5 de junho de 2015
sábado, 30 de maio de 2015
sábado, 23 de maio de 2015
segunda-feira, 18 de maio de 2015
domingo, 17 de maio de 2015
Mar desfolhado
Em cada onda desfolhei um ano, de todos os anos do meu passado.
Primeiro com força, de encontro às rochas. Anos de infância de que pouco recordo. Depois, mais mansamente, em páginas reviradas em lençol de areia.
De sete em sete ondas, lembrei-me de parar um pouco a existência, à espera de um sopro, que me viesse amarar, eternamente, a este lugar…
Pespontada a infinito, restará para sempre a transparência…do céu que se faz mar.
A fotografia é do Pedro Soares de Mello
sábado, 9 de maio de 2015
Recta absoluta
Devagarinho, acomodou-se ao nicho.
As pernas de encontro ao queixo, no único lugar que lhe permitiria permanecer, até que a luz, o invadisse de novo.
Toda a noite as badaladas ecoaram um sibilante: tzim tzum, tzim tzum, tzim tzum sem que uma única fresta lhe traçasse caminho.
Seria qualquer um, menos a o da escuridão. Tizm tzum, tzim tzum, tzimtzum…
Adormeceu algures, entre a terra, o seu coração e a eternidade, embalado pela branda presença do som, que lhe lembrava um outro amanhecer .
Quando acordou reparou que a única porta fechada, lhe estendia uma recta absoluta. Com os olhos semiabertos, decidiu-se então, a andar…
A fotografia é do Luís Leal
As pernas de encontro ao queixo, no único lugar que lhe permitiria permanecer, até que a luz, o invadisse de novo.
Toda a noite as badaladas ecoaram um sibilante: tzim tzum, tzim tzum, tzim tzum sem que uma única fresta lhe traçasse caminho.
Seria qualquer um, menos a o da escuridão. Tizm tzum, tzim tzum, tzimtzum…
Adormeceu algures, entre a terra, o seu coração e a eternidade, embalado pela branda presença do som, que lhe lembrava um outro amanhecer .
Quando acordou reparou que a única porta fechada, lhe estendia uma recta absoluta. Com os olhos semiabertos, decidiu-se então, a andar…
A fotografia é do Luís Leal
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