sábado, 21 de março de 2015
Muana (criança)
-Posso fotografar Muana?
-Pode, mas vê se não acidenta no fundo dos meus olhos. O fundo dos meus olhos tem precipício de lonjura.
De um lado, a lonjura da terra, do outro, a lonjura do mar.
No meio dos meus olhos, cabem todas as histórias que nunca me ouviram contar. Não conto histórias ainda, só as carrego, embaladas, no fundo do meu olhar.
-Olha aqui muana…
-E tu, ensinas-me a olhar?
Filipa Vera Jardim
Sobre: POSTAL ILUSTRADO
" MUANA" - (criança)
Moçambique - (Mueda 1972)
Fotografia de : Marques Valentim
sexta-feira, 20 de março de 2015
domingo, 8 de março de 2015
Licungo
Uma revista do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora, com a coordenação do Delmar Maia Gonçalves, em que tive o gosto de participar.
Nota. Licungo, além de ser um nome de um chá é também o nome um rio Moçambicano, um dos afluentes do maior rio de Moçambique: O Zambeze
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
Sapatos de Mundo
Passou metade da sua vida a construir metade do seu mundo.
Primeiro, com cubos largos e peças de lego encaixadas. Depois, com minuciosos
kits coloridos, de aviões de plástico que desembrulhava às pressas, não fosse o que tinha já de mundo, se poder abalar…
Passou a outra metade da vida, a construir a outra metade do seu mundo. Repleta de recortes de ideias, circunstâncias, atenuantes e invenções.
Globalmente, estaria tudo redondamente concluído…não fosse dar-se o caso, de se ter esquecido de aprender a atar os sapatos.
Filipa Vera Jardim
Passou a outra metade da vida, a construir a outra metade do seu mundo. Repleta de recortes de ideias, circunstâncias, atenuantes e invenções.
Globalmente, estaria tudo redondamente concluído…não fosse dar-se o caso, de se ter esquecido de aprender a atar os sapatos.
Filipa Vera Jardim
domingo, 8 de fevereiro de 2015
Milandos
Revista Cultural Milandos da Diáspora, número especial, com lançamento para o próximo dia 14 de Fevereiro na Casa de S. Tomé em Lisboa.
Depois de mais um encontro de escritores, na Fundação José Saramago, à volta das palavras, das letras, dos problemas da escrita que atravessa continentes em língua portuguesa, surge agora a edição especial da revista, pelo Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora.
Voltam os temas em debate e as palavras...sempre viajantes e nunca por demais, viajadas.
É sempre um gosto, participar.
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
Barcos na cidade grande
Não havia areia branca por aquelas paragens. Só um fio de luz ténue que lhes embalava o corpo desvairado em marés negras das fábricas e dos turnos.
Uns após outros, os turnos, carregavam-nos de inconstâncias, muitas vezes amarradas à amurada e a medo.
No fim do dia, pousavam de costas para a cidade grande. E , a balouçar, de maré em maré, adormeciam...
Fotografia do fotógrafo Pedro Soares de Mello
terça-feira, 11 de novembro de 2014
Estudo
O estudo visa detectar as necessidades de estágios profissionais, trabalhos temporários, carreiras profissionais, quer em Portugal quer no estrangeiro, dos alunos portugueses. As suas expectativas e necessidades.
Trata-se de um estudo Universitário e está a ser feito numa Universidade inglesa, por uma aluna portuguesa.
Podem responder alunos, pais, professores. Aqui
https://pt.surveymonkey.com/s/GQSDJ9L
Obrigada
Trata-se de um estudo Universitário e está a ser feito numa Universidade inglesa, por uma aluna portuguesa.
Podem responder alunos, pais, professores. Aqui
https://pt.surveymonkey.com/s/GQSDJ9L
Obrigada
sábado, 8 de novembro de 2014
Quiosque amarelo
Desceu a par e passo, até ao largo, inundado de luz e pespontado a quiosque amarelo.
Comprou o jornal dessa manha e embrulhou meticulosamente, com ele, o olhar. Depois, dirigiu-se às margens, que lhe sulcavam devagarinho o espanto. E só aí, se desaguou em foz.
A Fotografia é do fotógrafo Pedro Soares de Mello
sexta-feira, 7 de novembro de 2014
Assombração
Saltou do seu nicho, ao primeiro olhar do sol.
Se teria sido anjo, nunca o saberia...tornar-se-ia assim, pela força das circunstâncias, a sua própria assombração.
A fotografia é do fotógrafo Luís Leal
sábado, 11 de outubro de 2014
Penas e pássaros
(…)De repente a mulher que todos os dias me vendia o pão,
era uma garça. E por todo o lado só se viam penas e pássaros, penas e pássaros,
penas e pássaros.Uma infinidade de penas e de pássaros, numa cidade, que
amanhecia a voar.
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