Senta-te e esquece depressa todas essas palavras .
Fecha a porta do armazém das frases. As que tinhas feitas e as que tinhas por construir.
A noite ecerra-se num imenso fecho éclair de estrelas, por cima do mar.
As ondas vestem-se a pouco e pouco de negro.
No que resta da areia morna podes enterrar uma a uma todas as coisas ditas. E, as que ficaram , felizmente, por dizer.
Deixa-te estar assim. Não me apetece nada (re)conhecer-te em lonjuras de pensamento, nem em esquinas mais ou menos elaboradas. Só na imensa brevidade do instante.
Há instantes no fundo dos teus olhos. Agarrados à tua alma e, que se espalham agora pela toalha.
Lá fora o mar respira e surpreende-se.
Ouve-se a respiração das ondas, a tentar segurar búzios, entre os intervalos ritmados das rebentações, para conseguir ouvir todos e cada um dos teus instantes.
Por magia misturaste sem querer, uma brevidade, no pão com manteiga...
Lá fora o vento embala-te quase tudo o que vais repetindo incessantemente, de sorriso brando.
A janela, vou deixá-la aberta, para se falar melhor...







