Foi o dia todo assim, num destempero de gargalhadas. A pontilhar de prata o azul. A correr atrás das sombras, até as fazer corar.
Uma dança frenética de cores. Aqui e ali, adoçadas por gelados, desmaiados, nas mãos nuas, como se fosse mesmo verão.
Rimou com calor.
Rimou com brincadeira.
Rimou com faces afogueadas.
Ritmos coloridos num areal surpreso. De grãos, acordados à força.
Diz quem a viu, que passou o dia escondida. Acabrunhada, entre o último toldo, ainda por montar e, o paredão. Numa nesga branca de quase nada.
Uma pálida e esguia figura. A lembrar uma qualquer fatia de melão esquecida, da última estação... Debruçada sobre a sua própria sombra...numa nesga ínfima de luz. Nas mãos um copo. Um minúsculo copo, sem mais nada.
Passou o dia a passear. Em mangas de água morna. De braço dado, ora ao Suão, ora à à brisa alegre que vinha do mar.
Sorriu com os peixes. Apanhou conchas fechadas e, abriu-as com o olhar rasgado de luz .
Às mãos cheias distribuiu carícias...
Subiu alto. O mais alto que lhe foi possível, para poder acenar.
Sem nenhuma discrição, fez despir os abafos, Descalçar as meias, que convidavam à transparência.
Jazia ali, num embalo próprio do tempo que não se mede, mas que se sabe que acontece. Os joelhos encostados ao queixo. Uma névoa a trespassar-lhe a alma, feita de restos de luar...
As horas passaram. Quem estava na praia, ainda, viu.
Ela levantou-se, frágil. Encheu o copo com os restos desse sol destemperado, num Inverno, rodopiante de luz. E, sem dizer nada, entornou-o, por cima do mar.
Subiu ligeira. E, lá está a balouçar, em quarto minguante...







