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segunda-feira, 30 de junho de 2014

Destino comprado







Compra-se um destino, então.
Um destino grande e transparente.
Viscoso, de corpo inteiro.
Um destino pesado,
De contornos indefinidos.
Que se vira e revira
Rebola, reflecte, transpira.
Um destino de encontro ao vento.
Compra-se um destino então...
Desatado do infinito e levado,
Para sempre,
desde aqui...até á lonjura.

sábado, 28 de junho de 2014

Sussurros na ombreira da porta



As palavras não entravam pela ombreira larga da porta. Apenas os sussurros chegavam, aos pares, encostados ao desencanto desse dia.
-Hoje, não há nada para dizer!
O tempo, nasceu sereno. De sol, de arrepio, de brancura pincelada a azul. Ou de azul, matizado com laivos de ausência…pouco importa.
 O rio correu para lugar algum, durante o espaço que lhe foi permitido. Até alguém se lembrar de o rebocar, envolto numa espécie de neblina, desencontrada das margens e agrafada à força.
A noite, essa, far-se-á  apenas na espera, como todas as noites.
E os sussurros que se acotovelam cada vez em maior número na soleira, a lembrar outros tempos. Tempos de fazer redemoinhar palavras de um lado para o outro.
-Hoje não há nada para dizer!
 Esvai-se apenas, o que resta deste aparo de existência, no que outrora podia parecer o leito de um rio…sílaba a sílaba.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Desvanecia-se





Primeiro puxou um a um, pelos ombros, os pedaços de pele enrodilhada.
A seguir, dos calcanhares para cima, descarnou-se. Os ossos a bambolear no vazio, à procura dos restos das veias, que tombavam, em molhos, ensarilhadas no chão.
Por fim, sem dó, nem si, cravou as unhas com toda a força no rosto. Os olhos rolaram como berlindes, pelas cavidades abertas.
Desvanecia-se…
(…) E os restos da alma, que nem o tutano,  jamais  lhe alcançaria.



A fotografia é do fotógrafo Michael Macku.



domingo, 1 de junho de 2014

Moçambicando, na noite de Sintra


Foi noite de Moçambique em Sintra.
Morena pele, de tranças claras, em Sintra.
Terras de lonjura e barro vermelho, em Sintra
E o cheiro da savana, sorvido sem pressas,
Sol a pino, na noite de Sintra
Com queijadas e lonjuras.

Gostei muito!