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sábado, 14 de julho de 2012

Existência, num murmúrio, do fundo do coração





  Desenhou uma espiral na entrada da casa.A afunilar, directamente,  à estrada do pensamento.
Não se percebia muito bem da porta, quantos passos se teriam que dar, para ultrapassar toda a realidade, rodar a maçaneta aos sonhos e, desembocar numa passadeira, sem vivalma.
Mandava então parar o tempo, aquietar o espaço e seguia.
A viagem era sempre a da existência. Sem destino preciso e sem direcção definida.
Guiava-o uma bússola, que herdara do seu avô. E um marca-passos, amarelado, de vitrina partida e ponteiros seguros por um elástico, que lhes permitia contar a vida, segundo, a segundo, por uma boa parte da eternidade.
Todos os dias percorria sozinho, uma boa parte da eternidade.
Não havia esperança nem contemplação, na viagem.
As bermas permaneciam inertes e a paisagem, permanentemente  indefinida.
Depois de horas de repensar o que o levava. Passava  outras tantas horas, a ensimesmar-se, sobre o  que o traria.
ainda hesitou, por um dia, desviar-se. A causa, foi um  pequeno murmúrio,  que  pareceu ouvir, do fundo do coração...

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Longe a levaria, o rasto de si





Nada nem ninguém faria prever.
Uma mala pousada à pressa, no chão,  de urze,  da frontaria da casa.
Quase tudo, misturado no amarelo da Primavera. Quase tudo o que lhe acontecera. Década por década.
Quinzena por quinzena, à exaustão do instante.
Tinha dobrado bem a vida.
Vincado os dias de azul. E,  trespassado,  de ponta a ponta, com linha encarnada,  os outros. Esses que fora  cinzelando.
Vivemos sempre entre o azul e  o sombreado. Inequivocamente!
Por vezes- muito poucas essas vezes- em breves instantes de um  tempo. Surpreso e suspenso, que nos deixa  coexistir a amarelo.
Numa ou noutra travessia, podemos fazê-lo em  passos largos, de braços alados ao verde. Mas só, numa ou noutra, pequena, travessia.
A mala levava-se consigo, para muito longe.
Lá, onde não haveria nem tempo,  nem vagar,  para o recordar da memória.
Soariam breves, os passo da viagem. nesse destino ingrato. Trespassado na lonjura maior: o  lugar, onde o silêncio se faz de agruras mal passadas,  e a paisagem se  redesenhada, numa vaga pintura, de um imenso, rasto de si...