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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

A Crise e o Palácio de Belém

(D. Carlos, 29 de janeiro de 1892)

A Literatura Juvenil

Foi uma luta.
Começou tinha eu dez anos, pelas mãos do meu avô.
-Que andas a ler?
Mostrei-lhe envergonhada um qualquer livro juvenil de capa ilustrada e cantos retorcidos de tanta leitura...
-Mas não está já isso lido? Vem cá.
Pela primeira vez, entrei na biblioteca do meu avô, sem que o destino fosse a cadeirinha baixa de costura, delícia suprema de qualquer um dos netos, convidado a entrar no gabinete do avô.
As paredes forradas de livros. De um lado o direito. Do outro a história, a literatura, a filosofia, os ensaios, as revistas que chegavam do estrangeiro...
-Vou-te dar um livro. É pequenino e não é difícil. Serve para aprender a pensar. É para meninas assim, que não se calam e perguntam muito.
O livro era pequenino, servia de facto para pensar e, não me pareceu nada complicado "O Discurso do método" de Descartes.
Acabei aí a literatura juvenil.

Anos mais tarde, deparei-me com uma guerra mais feroz. De uma escolaridade impositiva que arrasta a literatura juvenil até ao absurdo...reagi. Desta feita, com Eça de Queiroz.
Enfrentei uma série de mães acusadoras...a menina, coitadinha, a ler Eça de Queiroz... e por fim, a professora:
- não são idades para se ler Eça. São idades para se ler a Isabel Alçada.
Pois que não. Que a Isabel Alçada (com todos os méritos, que os tem) já estava lida, relida e trelida e que em casa, liam-se os livros da prateleira. Iria ser Eça.
O final do ano lectivo e os que se seguiram deram-me razão.

Como querem que os jovens saibam escrever, interpretar um texto, se não lhos dão?! Será que ainda não perceberam que se lê na medida do tamanho da alma? Não será o mesmo Eça, que a minha filha revisitará daqui a uns anos...como não foi o mesmo Décartes, que  fui reecontrando pela vida.
O Lugar da literatura juvenil existe. Mas tem um tempo. Curto.
Há que dar lugar a mares largos, na aventura das palavra.



Recuerdos del Sul

domingo, 30 de outubro de 2011

Lágrima (da minha filha)

Este poema foi escrito pela minha filha, no ano passado, aos 14 anos.
Hoje, especialmente, este post é dela e para ela.



Lágrima

Talvez precisasse de chorar uma lágrima,
Deserta de nada, vazia de vida,
E ficasse eternamente agradecida,
de ver essa lágrima,
despida.

De causa não chorada,
nunca a vida dela somente é feita.
Porque a  maior arma eleita,
é a lágrima chorada,
e por fim,
abandonada.

Rejuvenesce, paz, sentido eterno.
Por outrora não ter derramado.
É apenas lágrima desfeita,
Aquela que fora em tempos perfeita,
Deusa do tempo acabado.

Inês 


(Lancing College Chapel - West Sussex -  England)

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Um Homem de sabão, desfeito de gente



Experimentou...apesar de todos lhe dizerem que era feito de sabão, sair à rua num dia de chuva. Não derreteu mais do que o necessário para escorregar o silêncio no alcatrão. Foi só isso que aconteceu: escorregou o silêncio no alcatrão.
Mas ao contrário do que se podia prever, não se desfez.

Mal chegou a casa, despiu a gabardina, descalçou os sapatos e sem saber porquê,  começou então a chorar.
As lágrimas correram céleres e foram deixando um rasto de bolas de sabão, que pouco a pouco lhe foi desfazendo as ideias…
Uma a uma, rolaram, perdidas,  pelo chão.
A ideia de(vida) a ser assim.
A ideia parecida, com não poder.
A ideia de achar que era capaz.
A ideia sincera do acontecer.

A ideia esquecida,
de um tempo passado.
A ideia feita, destemperada,
A ideia de quase tudo...
no desespero.
Tão perto da ideia,
de quase nada.

Chegou ao fim,  da única forma possível: desfeito de gente.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Achavam que eu me rendia assim...

Palavras Acontecidas





Havia  ainda, quem se deslumbrasse com o passar dos dias. Em termos de deslumbramento efectivo.
António deslumbrava-se.
Fazia-o propositadamente.
De manhã, saía cedo. A deixar escorregar paisagens acontecidas, a conta-minutos, pelo canto dos olhos. Numa viagem, para dentro de si.
Exigia um enorme esforço de olhar...sobrancelhas contraídas, pestanas levantadas e o alvo fixo.Para que no firme instante, pudesse segurar pela ponta, cada imagem. No firme instante e só pela ponta. Fosse a imagem um bocadinho de quase nada ou uma imensidão qualquer.
Absorvia-as assim,  inteiras. Primeiro na pupila. Para só depois as reter com toda  a força da retina, sem efeitos nem floreados.
Só depois, muito para lá do meio da noite, junto a um dos dias, portanto, vinha então o deslumbramento.
Surgia sempre em forma de palavras.
Palavras que o  António não esquecia e que juntava  mais palavras: as do outro, e do outro e do outro dia...
Coladas lado a lado pela ocasião. Arrumadas pelo colorido ou pela imaginação.
Deixava-as pregadas por um alfinete de alma, numa folha de papel.
Tinha uma quantidade ímpar.



segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Para os que não comem couvert

Todos os que deitam fora os caroços das azeitonas para fazer de conta que não comem couvert...aqui têm a resposta: agora o couvert paga-se na rua.
Os restaurantes da cintura do Porto de Lisboa agradecem certamente e efusivamente. Quiça as novas rotundas, vão ser "agraciadas" com cestinhos com pão com manteiga patrocinados pela EMEL. Jantar no "Kais", nos "Meninos do Rio" etc e tal...só a penantes!
Aconselha-se galochas, agora que o tempo parece que quer mudar. O percurso ainda é longo...e as obras, sempre as famigeradas obras, decorrem a mau ritmo.
Aqui: Queres passar pela rua? Paga! 

Para mim, ainda é verão!





Não me rendo à chuva nem ao vento.
Nem ao tempo que passa e se despede.
Nem ao Inverno que avança glorioso.
Sequer aos cheiro de Outono,
espalhados em bagos de romã agreste.
Não me rendo ao mar em fúria,
Que quase esquece os passos,
espalhados na areia.
Não me rendo às folhas aos magotes.
Ao esvoaçar dos ditos,
Aos silêncios mais aflitos,
Sem tempo já, para a brincadeira.
Não me rendo não.

Porque para mim...ainda é verão!

domingo, 23 de outubro de 2011

A crise. Desta feita em versão escolar e estrangeira

Este ano a surpresa:
-E os livros filha?
-Os livros estão aí!
-Estão aí como?
-Os livros não são meus mãe. Mas também não é preciso comprar livros nenhuns. Os livros são da escola. São de todos. Eu ponho o meu nome no fim da lista (de muitos nomes diga-se de passagem) e uso. Só não posso escrever nos livros. Mas não faz mal. Eles dão muito papel para tirar apontamentos.
- Bom mas é preciso dicionários...
- Não mãe. Os dicionários estão na sala de aula. São de todos. Também há na biblioteca.
-Sim mas e os consumíveis? Cadernos, dossiers com estrelinhas, com galinhas, com coisinhas...lápis com luzinhas...
-Ai isso? A mãe não se rale. É só uma caneta ou um lápis e já está. Tanto faz. Os dossiers são todos pretos, dos básicos e o papel é reciclado.
-Calculadora???
 Aqui é sempre uma razia: uma coisa xpto, que ainda está dentro da embalagem, já se ouve berrar a plenos pulmões " eu sou o último grito da moda"...
- Pois é mãe...imagine que não deixam a minha calculadora do ano passado...só deixam aquelas muito básicas que se usava no 5º ano...
 Munida de um espírito de mãe galinha em início de ano escolar, repliquei triunfante: sim mas lá para os desenhos geométricos...preciso dos números dos lápis, dos tamanhos das réguas. De vinte? De trinta? De cinquenta,  de 48...dos ângulos dos transferidores, dos enquadramentos dos esquadros e dos dois em um, que não existiam no meu tempo, mas entretanto parece que foram inventados: os arintos. (ao invés de substituírem, somaram! ). Preciso disso tudo para a lista.
-Ó mãe eles querem lá saber dos números e dos comprimentos. Desde que risque e se veja...melhor ainda é se estiver certo. Não há nada para a mãe por na lista.... Além disso, em Inglaterra, estão em crise!
Pois estão...e nós... (se calhar)... também!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Apelo Urgente por uma Europa mais Solidária

 A Grécia está em crise! Precisamos de ser solidárias: adopta um Grego!


Chama-se Saki Rouva. Foi considerado um dos homens mais bonitos do mundo...e não é que vai-se a ver o passaporte, e diz lá... Grego!!!  Está lá, com as cores azuis e brancas, escarrapachado e sem margem para nenhuma dúvida!


quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Amor aos Pedaços





Acho lindamente. Não podia estar mais de acordo. Casamentos com prazos renováveis. Uma espécie de amor...aos pedaços!
Dois anos no México, sete em Paris...vai haver para todos os gostos.
Na Madeira também!
Nada de reinados esmorecidos. De alianças gastas, de vestidos desbotados.
Acaba-se de uma vez com a modorra, o status quo, o politicamente correcto.
O casamento passa a ser a prazo: exactamente como os iogurtes. Sem admitir congelação e a exigir temperatura adequada.
Uma fruta que se mordisca levemente nos primeiros anos, para depois se exigir madura.
Volta e meia, vai a votos. O que implica campanha afincada, com atenções redobradas. Mais um papelinho, mais uma voltinha, no carroussel da vida. Que se quer para sempre. Mas desta feita, merecido. De cônjuges esforçados e empenhados.
O triste fadinho das mulheres despenteadas, amarrotadas, desmazeladas. Dos maridos esparramados no sofá da vida, vai acabar. O comando vai ter que ser o da imaginação.
O canal desporto tem os dias contados.
Os Cristianos Ronaldos deste mundo, vão te que se esforçar muito mais As novelas da TVI, quando muito, de soslaio, entre um beijo e um queijo
Vivam os chocolates, as flores, os amores!
Agora sim. Agora é que vamos ser todos felizes!



nota: é preciso é verificar sempre os prazo das embalagens.


O desenho é um original gentilmente cedido pelo autor e ilustrador José Abrantes

sábado, 15 de outubro de 2011

Desnorteados



O susto toma conta dos sonhos. Os sonhos destemperaram-se, em quotidianos impossíveis. Insuportáveis.
Para onde então?
Qual o rumo?
A crise, de económica e financeira, a pedir contenção, toma cada vez mais, a proporção do desespero. Imenso e esbugalhado.
Pede-se, pelo menos, indignação...
O suporte vai ruindo. Todos os suportes vão ruindo. Sem que se vislumbrem caminhos. Muito menos certezas.

O pensamento ficou algures, entre a hora do almoço e o pesadelo diário da sobrevivência...
A permanência do quotidiano de ontem, serve-se hoje, fria, em tempos de crise.

Não há psicologia que prepare, para a incerteza total, a cada uma das vinte e quatro horas, que partem à desfilada, por dentro de números e mais números, num galope  incessantemente. E, vindo dos quatro cantos do planeta. O mesmo, que um dia, parece que foi azul...
As necessidades tornaram-se absurdas. Senão todas, pelo menos a maioria. Esgotando-se para lá de todo o entendimento...

Parece que os números se insuflaram de vida. Orientando-se a si próprios e a nós mesmos.
Estamos, enfim,  reféns. Daquilo que já nem sequer  sabemos se queremos. Mas somos, todos, sem excepção, obrigados a consumir.

E a perplexidade a tomar conta dos gestos: autómatos, inexpressivos...

Afinal o que é prioritário? O que é essencial? O que é decisivo?
Há que repensar modelos e reorganizar estruturas.
Levantar as pedras polidas, de cima do desentendimento e recuperar o âmago. Num reencontro...com o SER. Que possa então, reunir as forças necessárias, sejam elas quais forem,  por forma a suportar, o querer e o haver, colectivos.

(a imagem foi tirada da internet e pronto!)

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

À Beira de um ESTADO de Nervos...

`"Nós Estamos num Estado Comparável à Grécia Nós estamos num estado comparável, correlativo à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma ladroagem pública, mesma agiotagem, mesma decadência de espírito, mesma administração grotesca de desleixo e de confusão. Nos livros estrangeiros, nas revistas, quando se quer falar de um país católico e que pela sua decadência progressiva poderá vir a ser riscado do mapa – citam-se ao par a Grécia e Portugal. Somente nós não temos como a Grécia uma história gloriosa, a honra de ter criado uma religião, uma literatura de modelo universal e o museu humano da beleza da arte."

Eça de Queirós, in "Farpas "(1872)

Relojoeiro de palavras em princípio de noite


Não te vejo escrever. Mas sei que passeias os olhos pelo écran, à procura da sílaba tónica. Irás depois, cuidadosamente inseri-la nos espaços correctos. Assim te assistam  todos os minutos da imaginação. 
Ponteiros feitos de dedos esguios, recortando quotidianos e reinventando paisagens.
Não consentes que as vírgulas fujam, de susto ou de espanto.
Que os pontos finalizem o que ainda há-de ser escrito.
Que as interjeições se acomodem.
Que os travessões se atravessem Sequer na serenidade, onde não é suposto estar mais do que o mostrador deserto. Quando muito, ponteado de uma ou outra estrela. Vírgulas indefinidas. Ainda sem rumo, na  viagem de um texto.
Aos poucos, a escrita tomará forma  de gente. Ou de rodas dentadas de palavras, enrodilhadas em silêncios, a fazer-te correr, de página em página. De capítulo em capítulo. Numa frenética revisão: do espaço e da memória.
Um dia dirão: aqui esteve, um relojoeiro de palavras em princípio de noite...


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Corrente (com o super homem) pelo Orçamento Geral do Estado

Enquanto se "agigantam" as dívidas e se encolhem os bolsos, na penúria que se avizinha ,  nada como fazer o que já fazemos quase automaticamente... uma "corrente".
Pedí ajuda ao super Homem, pus umas velinhas e agora é assim: Ele vai passar pela tua casa. Se não passar, não te preocupes, passas tu pela dele, uma vez que vieste até aqui. E, que o assunto é o O.G.E.
As velinhas, está tudo controlado. O super homem já as acendeu.
Corrente:
_Se passares para trezentos amigos não acontece nada possivelmente
_Se passares a vinte amigos não acontece nada, certamente
_Se passares a um amigo só, não acontece nada, decididamente.
Mas é a tua obrigação passares!
Eu já cumpri a minha.

Claro que dá resultado. Não é uma corrente qualquer...até tem o super homem a rezar...

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Fim do Mundo

Para quem estava receoso:

O Fim do Mundo em 2012 foi cancelado em Portugal. O País não tem capacidade de receber um evento desse porte.

(Ministério das Almas)

domingo, 9 de outubro de 2011

outra vez o tiro ao Álvaro...

Dia triste para a cultura

Um dia triste para a cultura...a passar despercebido no emaranhado político, certamente muito mais absorvente.
A partir de agora os museus, vão deixar de ser gratuitos ao domingo. O que equivale a fechar, também as portas dos museus, a muitos milhares de famílias.
A arte, cada vez mais inacessível. A cultura também.
Fica o caminho das visitas on line, da imaginação, do espaço público e do ar que se respira...que por agora, ainda não está taxado a 23%.
Ma o sufoco está aí, bem patente para quem o quiser ver.
Claro que não comemos cultura.  E sobrevive-se sem arte...será?

sábado, 8 de outubro de 2011

Palavras em galope


Estendemos palavras. 
São sílabas espaçadas nos varais.
Presas à constante mudança que nos desinquieta o silêncio.
Podemos deixá-las no mais fundo da gaveta,
Que não deixarão  de respirar galopes,
Atravessar paisagens,
Fazer deslizar os sonhos,
Pelas esquinas húmidas da imaginação.
Acabarão nessa dança:
O inevitável...
Rodopio efeverscente,
Em Mi maior


quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Dançarão as palavras no meio da noite.

É rigorosamente a meio da noite. No espaço fronteira entre a gaveta da memória que fechou mais um "resumo de 24 horas" passadas ao sol. E, o conturbado e difícil amanhecer...que dançarão quase todas as palavras.
Pelo menos aquelas, que poderão valer a pena dançar.
Coisas banais como ficar, perder, não querer, não saber...ignoram os acordes básicos de uma melodia simples.
São palavras postas nas prateleiras dos sonhos. Servem para enfeitar a vida  e construir castelos no ar. Temperam somente as recordações. Com gosto a canela, ou a sumo de limão.E vão colorindo o  passado. Mais, ou menos envergonhado, de um qualquer azul celestial.

As outras, as que sabem rodopiar...esperam sem pressas pelos primeiros acordes...

Uma estranha melodia repartirá as sílabas e desconstruirá as frases. Desalinhando os parágrafos e refazendo as figuras de estilo. Com acordes de aurora...
Ora pensadas, ora repentistas. Mas nunca esmagadas pelo peso do que não se consegue contar.
As palavras dancarão!
Apesar de todos os pontos de interrogação, com que enfeitámos previamente a almofada da nossa imaginação.
E quando vier a madrugada, já vão saber os passos certos, no alinhado certinho da métrica.
Entre um poema,
Cinzelado na  noite.
De breu e raiva,
de amor e céu.




quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Estamos Salvos!



Desta vez não é no Beato: é em Peniche!!!
É tratar de aproveitar o feriado com alegria...parece que esguicha e tudo.
Acabou-se a crise. Acabou-se a troika. Acabou-se a falta de perspectivas, a geração à rasca...todos esses transtornos.
(não sei mesmo com que nos vamos entreter nos próximos telejornais)
A notícia foi-me dada por fonte seguríssima, numa vernissage, ainda ontem...ai que alívio!.
E na Madeira certamente que vão descobrir ouro...

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Casamento Europeu



A coisa começou em festa e prometia.
Mas a pouco e pouco, uma estranha paz, começou a apoderar-se do marido, a par da resignação, tão comum. E, tão ineficaz, do sector feminino.
Se os países mais poderosos, se foram "instalando", com uma ou outra escapadela. Das mais que muitas alternativas, em ascensão, a precisar de apoios solícitos,
Os menos protegidos pela sorte, optaram pelo ar sériozinho de mulher surda cega e muda...
O tempo foi passando...
Um ou outro empolgamento ocasional, não salvaram a Europa do que ela é hoje: Uma relação desgastada em que já ninguém reconhece em ninguém, a capacidade para construir nada próximo da felicidade. Antes pelo contrário...o outro é visto com desconfiança: ou porque dá demasiada abertura aos emergentes...de quem há que "acautelar" por definição. Ou porque de tanto acomodamento, já não se atura ...
Os pequenos lá continuam , caladinhos e de orelhas moucas, à espera de uma oportunidade de ouro, para uma paz menos sensaborona. Ou, de uma gota de água que levante a tampa da panela, que assobia para o lado, baixinho, de tanta pressão...
Cá para mim, isto resolvia-se com mútuo consentimento. Quando não, vai acabar tudo em litigioso e  os advogados é que levam a  maior fatia...sobretudo se contratados a montante. (alique-se-lhe a taxa variável de juros compostos)